Archive for the ‘Opinião’ Category

Surreal

February 23, 2013

A persistência da memória – Salvador Dalí

Livre das barreiras do tempo, idade, origem, espaço e limitações desenvolvidas com a desculpa de nos defender dos males da vida, mas que mais nos servem de males piores. É livre de tais barreiras que adentramos o domínio daquilo que sentimos como Surreal.

Por exemplo, o Amor é o mais incompreendido dos dons divinos da humanidade. Logo cedo, quando começam a se depararem com as dificuldades da vida, as pessoas não resistem e se esquecem do que é o Amor.
Daí, quando dizem “aquele antigo eu, que amava e se entregava à vida e às emoções como um artista a um quadro, morreu”. Também é a partir deste momento que nossas ações deixam de parecer belos quadros em ação de graças à Natureza.
Mas não venho apenas observar uma condição menos feliz. Vos trago também boas novas neste texto.
O Amor é tão intrigante, imprevisível e não-linear que nem mesmo tal sincero, mas sem deixar de ser teatralizado, “morreu” do sujeito, deixa o Amor de existir no âmago de quem quer que seja.
Por outro lado, se por um acaso, alguma coisa ou alguém em vossas vidas vos fez voltar ou avançar no tempo, parecer mais novo ou mais velho, como se estivésseis enxergando mais amplamente o certo e o errado, toda a realidade e, acima de tudo, vos fazendo sentir um Amor que sabe respeitar o aqui e agora. Então vós entrastes em um estado Surreal e sois um experimento vivo à favor de minha teoria.
Tal estado de espírito, que não me julgo capaz de traduzir em palavras, apenas vos mostra a necessidade de expandir sempre as barreiras humanas, jamais encurtá-las. A necessidade de amar sempre mais, com sabedoria e discernimento, porém sempre mais.
O estado Surreal é instável como um sonho. Porém, com lições duradouras para toda a eternidade. Por exemplo, de que uma vida boa é feita de bons momentos nos quais sabemos esquecer todos os impedimentos e nos entregar à bela pintura que a vida.
Estejam atentos e aproveitem o momento.

Aconteceu!

May 22, 2010

Este texto é uma contribuição de nossa professora do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, Rosemary Araújo.

Nada mais taxativo do que saber-se que algo aconteceu e não se pode mais voltar atrás. Seja porque se constata um erro e suas consequências já se fazem sentir, seja porque se quer prolongar um momento de felicidade ou alegria e bem-estar, e este já se foi.
Quando o inolvidável Chico Xavier disse magistralmente que “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”, deixou-nos uma verdade incontestável: somos donos do nosso próprio destino! É o nosso livre arbítrio que nos faz senhores de nossas escolhas na vida e são essas escolhas que nos encaminham a destinos que podem ser cada vez melhores, onde não haverá necessidade de lamentarmos o que já aconteceu.
Se nos depararmos com situações desastrosas, advindas da nossa imprevidência, recomecemos, a fim de fazermos um novo fim. Corrijamos os nossos enganos do passado, lembrando de nunca dar asas à culpa! Não, não registremos nossos equívocos com culpa, pois, no passado, quando erramos, era aquilo que ainda tínhamos a oferecer aos outros e a nós mesmos. Será que hoje, diante da mesma situação, agiríamos como agimos antes? Certamente que não. Hoje já somos detentores de um conhecimento antes ignorado. Se hoje temos este conhecimento é porque tivemos que experimentá-lo naquele momento em que cometemos o engano. Hoje não! Hoje podemos modificar o desfecho dos acontecimentos e, ao constatarmos novamente que já aconteceu, o resultado poderá ser bem mais agradável, se nos empenharmos em melhorá-lo.
Porém, se, ao reverso, o que encontramos são situações de lamento por algo maravilhoso que nos tenha acontecido, também podemos daí tirar lições de aprendizado sublime, constatando que, afinal, já somos capazes de feitos, senão gloriosos, pelo menos, satisfatórios, que nos concedem um certo refrigério nas lutas diárias. Mas nada de lamúrias, lamentos ou tristezas pelo que já aconteceu e não voltará mais.
Nas variadas leituras sobre a vida de Chico Xavier, certa vez, deparei-me com a narrativa de que ele teria pedido aos Espíritos que lhe trouxessem uma mensagem de Maria de Nazaré que o orientasse. Ao retornarem, em atendimento à solicitação do Chico, os Espíritos teriam trazido a frase: “Isso também passará!”. Chico meditou sobre ela e, a partir desse momento, teria a mensagem sempre às suas vistas, a lembrar-lhe sempre da fugacidade dos acontecimentos, sejam eles tristes ou alegres, mansos ou ferozes, nossos ou alheios…
Diante dos fatos transcorridos, em vez de lembrarmos do antigo personagem da TV, que a tudo resolvia com o seu “e zé fini, tá na boca do Brasir”, façamos como o compositor, perguntemo-nos “e agora, José?”, o que podemos fazer para nos garantir um final mais feliz?

Não julgueis para não serdes julgados pelos neurônios-espelho

April 1, 2010

A seguinte conversa se passou no laboratórios em trabalhamos.

Nós (depois de ler uma notícia sobre neurociência): Escutem isso pessoal:

O cérebro do macaco tem uma classe especial de células, os neurônios-espelho, que disparam quando o animal vê ou ouve uma ação e quando a executa por conta própria. Este é um possível mecanismo que utilizamos para julgar as intenções dos outros a partir das ações.

Nós: Não é interessante, pessoal? Notem, se eu digo PAU e alguém acha que eu me referia ao órgão sexual masculino,  na verdade, a única coisa que se pode afirmar com certeza, é que a pessoa estaria se referindo ao órgão caso ela própria tivesse dito a palavra. Não obrigatoriamente é minha intenção. Fascinante, não?

Um amigo: Ah! Mas isso que tu tá falando é uma completa besteira.

Nós: Acho que tu não entendeu. A idéia é: se TU tivesse falado o que eu falei, seria besteira. ;D

Foi assim que a nossa ignorância finalmente, depois de 2000 anos de convívio com o ensinamento, nos permitiu entender

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão, dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também. – Lucas 6, 37-38

O negrito foi feito por nós e, na nossa opinião, indica uma função implementada por neurônios-espelhos. Fascinante, não?

Sobre Francisco de Asis e Mandelbrot

March 9, 2010

Antes de continuar a leitura, escutemos a seguinte música.

Agora uma pergunta, se tivéssemos todo o Universo em nossas mãos no momento do Big Bang e tivéssemos que definir uma lei geral para que aquele se desenvolvesse até o estado em que se encontra hoje, qual deveria ser tal lei?

Para facilitar um pouco a resposta, uma análise sobre o sobre como se comporta a Natureza pode ajudar. Para a seguinte análise, devemos observar os fractais, como os pesquisados por Mandelbrot:

Podemos ver na figura de um fractal, que este se comporta como uma função recursiva, onde cada parte assemelha-se ao todo. Por toda a Natureza, diversas são as manifestações que obedecem princípios fractais de formação:

Portanto, a lei geral da pergunta que nos fizemos, deve ter uma forma simples que, se manifestando em partes ou no todo, faça com que o Universo mantenha sempre a mesma aparência. Na nossa opinião, tal lei deveria ser, como proposta na Oração de São Francisco:

  • É dando que se recebe.

Em uma análise superficial, podemos concluir que esta é uma das mais completas leis de sustentabilidade. Pois, tudo aquilo que precisa de algo sabe obtê-lo dando ao antes que recebendo. É, também, no processo de receber o essencial em troca de pouco, que a Natureza em que vivemos se desenvolveu com

  1. As mitocôndrias que precisaram de alimento e proteção, unindo-se a células maiores para lhes fornecer energia.
  2. O Planeta Terra que precisou da luz solar, doando seu poder gravitacional para manter o Sistema em equilíbrio.
  3. Os homens que quiseram ser perdoados, perdoando.

Acreditamos, portanto, que esta é uma lei fractal simples e boa o suficiente para desenvolver qualquer complexo aos seu mais completos níveis.