Archive for the ‘Doutrinas teóricas’ Category

Liberdade

June 28, 2012

A morte não exite, Besouro! A morte é viver debaixo da bota dos outros! 

– Mestre Alípio, no filme “Besouro”

Talvez um dos temas que, conscientemente ou não, mais me interessa é Liberdade. Sendo que nesta preocupação as perguntas que mais me acompanham são:

  • Quão livre nós realmente somos?
  • Quão livre é nosso arbítrio?
  • O que pensamos ser nossa vontade mas na verdade é imposição do corpo (fome, cansaço, falta de sexo, etc), fraqueza da mente (medo, ansiedade, biaxa-estima, etc) ou pressão alheia?
  • Em que condições somos subjulgados e como perceber e superar aquilo que nos limita a ação?

Dentro deste tema, analisaremos estas perguntas nos seguintes contextos:

  • Ímpeto: como desenvolver a coragem para agir e na hora certa?
  • Certo e errado: como viver sabendo que tudo é permitido sem se tornar um criminoso?
  • Liberdade do corpo: como expandir as possibilidades do físico?
  • Liberdade da mente: como expandir as possibilidades da mente?

Pretendo escrever post para cada contexto. Então, se este for um tema de seu interesse, inscreva o RSS do Theoretical Something e fique ligado.

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Como ler pensamentos: Uma abordagem cética

June 16, 2011

“As disciplinas dos exercícios físicos, meditações e estudos não são terrivelmente esotéricas. Os meios para atingir uma capacidade além daquelas das chamadas pessoas comuns estão ao alcance de todos, se seus desejos e suas vontades forem fortes o suficiente…” – Veidt

Por nos faltar conhecimentos aprofundados no assunto, este texto não lidará com parapsiquismo ou tradução de atividades elétricas no cérebro humano. Ao leitor interessado nestas abordagens específicas, recomendamos este e este link, respectivamente. Focaremos nos processos indiretos de leitura do pensamento, ou seja, através da leitura das pistas do pensamento.

POSSIBILIDADE DA COMPREENSÃO DOS PENSAMENTOS ALHEIOS

Temos certeza que o leitor não acredita ser impossível ler pensamentos. No máximo, as pessoas buscam o processo pela abordagem errada. Imaginamos que o leitor já passou por uma situação ou ouviu o relato de alguém que visualizou todo um conjunto conexo de fatos e que depois confirmaram ser parte do pensamento de terceiros.

Este processo de leitura é possível, do ponto de vista material, pelos sistemas neurais envolvidos no processamento da empatia. Provavelmente utilizando neurônios espelhos, que representam os comportamentos alheios como se fossem nossos, permitindo assim, que descubramos o pensamento dos outros como a resposta para a pergunta “se eu estivesse agindo daquela maneira, o que eu estaria pensando?”. Outras evidências da transmissão de pensamentos são catalogadas nos experimentos científicos para testar a possibilidade da telepatia, sendo que o livro Mental Radio é um bom exemplo do assunto.

UTILIDADES E FUTILIDADES DA LEITURA DE PENSAMENTO

Possíveis utilidades para esta prática vão desde simples ajuda para escolher um presente, até o planejamento de uma estratégia de assistencialismo para uma pessoa ou grupo. Dentre as futilidades ou usos anticosmoéticos, podemos citar a compreensão dos pensamentos alheios para manipulação, satisfação de paixões, ciúmes, inveja ou mesmo curiosidade ociosa.

Aqui, observamos que a melhor defesa contra o assédio pensamental é manter a serenidade, discrição, tranquilidade e conduta reta, o que impede a liberação de pistas de pensamento indesejadas.

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA

Esta seção faz uma descrição matemática, qualitativa do processo de leitura do pensamento. Serve apenas para aqueles que acreditam que isto ajude na sua compreensão ou que pretendam fazer simulações computacionais. O leitor que não se encaixa neste perfil pode pular para a próxima seção sem grandes perdas.

Sendo P(A) a probabilidade a priori do pensamento A; P(B), a probabilidade do comportamento B; P(A|B), a probabilidade a posteriori do comportamento B ter sido causado pelo pensamento A e P(B|A), a verossimilhança de B dado A, então, pelo Teorema de Bayes,

P(A|B)=P(B|A)P(A)/P(B).

Ou seja, poderemos ler o pensamento A, ao observar uma pista B, contanto que saibamos em que condições a pista B é gerada pelo pensamento A e as chances de a pessoa estar pensando em A Depois disso, verificamos se P(A|B) possui o maior valor dentre todos os possíveis valores de P(.|B), para um dado conjunto de possíveis pensamentos.

Esta equação serve apenas para ilustrar o processo de leitura do pensamento, a mente deve fazer estas contas automaticamente. O maior problema se deve ao fato de que tanto a probabilidade a priori P(A), quanto a verossimilhança P(B|A), da pessoa alvo serão estimadas pelas probabilidades Q(B|A) e Q(A) do leitor de pensamentos através de um possível sistema de neurônios espelhos. E isto implica em um erro igual à divergência entre P(B|A)P(A) e Q(B|A)Q(A), dado por

D = integral{dAdB P(B|A)P(A) log [ P(B|A) P(A)/( Q(B|A)Q(A) ) ] }

PASSO-A-PASSO A PARA LER PENSAMENTOS

1° Entender os próprios pensamentos. Pois a compreenção sobre isso mesmo será utilizada para inferir informações sobre os outros.

2° Compreender as possíveis relações entre pensamentos, comportamentos e demais conseqüências. Isto para fazer o mapeamento inverso pista -> pensamento. Nesta etapa é interessante descobrir perguntando, se possível, no que as pessoas ao redor estão pensando sempre que notar algum comportamento interessante.

3° Estudar leitura corporal e outras pistas de traços pensamentais. Principalmente das expressões faciais, mas é importante notar que o tom de voz, movimento das mãos e postura também contém muita informação do que vai na cabeça das pessoas. Indicamos o seguinte livro.

4° Estimar pensamentos a partir das pistas observadas na pessoa alvo.

Manifesto do movimento otimista cético pragmático

March 4, 2011

O otimista cético pragmático é aquele que educadamente duvida da validade do que se afirma ser o conhecimento em algum departamento especial de inquérito, mas que sempre procura boas interpretações mesmo nas mais tolas bobagens do dia-a-dia. Tudo isto porque ele sabe que na maioria das situações alegria ou tristeza é uma mera questão de escolha.

Em palavras simples, o otimista cético pragmático é alguém que mesmo procurando correções para coisas que sabe estarem muito erradas, decide voluntariamente ficar calmo, sereno e feliz porque ele quer e sua vontade é suficiente.

Muitos, principalmente os pessimistas patológicos, podem declarar ser impossível ficar bem quando tudo vai mal. Na tentativa de convocá-los ao movimento, tem-se os seguintes argumentos.

Argumentos a favor do movimento:

  1. Psicotrópicos podem ativar estados de alegria, calma e paz independentemente das condições sociais, financeiras e econômicas do sujeito. Isto prova que o ânimo de uma pessoa não está 100% correlacionado com sua situação exterior.
  2. Pessoas calmas e otimistas se estressam menos para obter os mesmos resultados que os ansiosos e pessimistas.
  3. Acreditar que se tem o direito de se sentir bem não implica em comodismo. Pois se algo vai bem, sempre se pode trabalhar para melhorar.
  4. Ninguém realmente lucra com o sofrimento de ninguém. Ou seja, sofrer nunca vai ser o resultado mais satisfatório para uma cobrança exterior ou interior.
  5. Otimismo e calma não implicam em indiferença e pusilanimidade, como pregam os contrários. Isto é fato, não existe nenhuma relação obrigatória de causalidade entre estes estados.

Algumas sugestões de conduta:

O otimismo cético pragmático normalmente não é seguido por pessoas com a auto-estima do tamanho da dos que se deixam controlar por listas, horóscopos e afins, mas aí vai:

  1. O otimista cético pragmático normalmente não finge estar triste para agradar, pois sabe que estimular o otimismo e a calma é sempre mais lucrativo psicologicamente.
  2. Se alguém cobrar tristeza para se sentir bem, pode-se sempre lembrar que ninguém é “responsável pelo que os outros acham que se deve fazer”.
  3. O adepto do manifesto normalmente acredita que por mais deprimente, compulsória e chata que seja uma doutrina, religião ou partido, sempre apresentará lados positivos que possam ser explorados para levar alguma alegria e otimismo para seus adeptos.
  4. O otimista cético pragmático tem confiança suficiente no seu poder de auto-sugestão para necessitar de psicotrópicos.
  5. O real adepto do movimento jamais trata os outros deselegantemente, com menosprezo ou ignorância porque implicaria em falta de calma e fraqueza na auto-sugestão de serenidade. Além disso, o verdadeiro otimista sabe que não é porque algo ou alguém está brutalmente errado que vai permanecer para sempre assim.

“Tá tudo errado lá fora, mas eu tou bem porque tou trabalhando para concertar. Mentira, tou bem porque quero. =D” – Moto do movimento otimista cético pragmático