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Como ler pensamentos: Uma abordagem cética

June 16, 2011

“As disciplinas dos exercícios físicos, meditações e estudos não são terrivelmente esotéricas. Os meios para atingir uma capacidade além daquelas das chamadas pessoas comuns estão ao alcance de todos, se seus desejos e suas vontades forem fortes o suficiente…” – Veidt

Por nos faltar conhecimentos aprofundados no assunto, este texto não lidará com parapsiquismo ou tradução de atividades elétricas no cérebro humano. Ao leitor interessado nestas abordagens específicas, recomendamos este e este link, respectivamente. Focaremos nos processos indiretos de leitura do pensamento, ou seja, através da leitura das pistas do pensamento.

POSSIBILIDADE DA COMPREENSÃO DOS PENSAMENTOS ALHEIOS

Temos certeza que o leitor não acredita ser impossível ler pensamentos. No máximo, as pessoas buscam o processo pela abordagem errada. Imaginamos que o leitor já passou por uma situação ou ouviu o relato de alguém que visualizou todo um conjunto conexo de fatos e que depois confirmaram ser parte do pensamento de terceiros.

Este processo de leitura é possível, do ponto de vista material, pelos sistemas neurais envolvidos no processamento da empatia. Provavelmente utilizando neurônios espelhos, que representam os comportamentos alheios como se fossem nossos, permitindo assim, que descubramos o pensamento dos outros como a resposta para a pergunta “se eu estivesse agindo daquela maneira, o que eu estaria pensando?”. Outras evidências da transmissão de pensamentos são catalogadas nos experimentos científicos para testar a possibilidade da telepatia, sendo que o livro Mental Radio é um bom exemplo do assunto.

UTILIDADES E FUTILIDADES DA LEITURA DE PENSAMENTO

Possíveis utilidades para esta prática vão desde simples ajuda para escolher um presente, até o planejamento de uma estratégia de assistencialismo para uma pessoa ou grupo. Dentre as futilidades ou usos anticosmoéticos, podemos citar a compreensão dos pensamentos alheios para manipulação, satisfação de paixões, ciúmes, inveja ou mesmo curiosidade ociosa.

Aqui, observamos que a melhor defesa contra o assédio pensamental é manter a serenidade, discrição, tranquilidade e conduta reta, o que impede a liberação de pistas de pensamento indesejadas.

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA

Esta seção faz uma descrição matemática, qualitativa do processo de leitura do pensamento. Serve apenas para aqueles que acreditam que isto ajude na sua compreensão ou que pretendam fazer simulações computacionais. O leitor que não se encaixa neste perfil pode pular para a próxima seção sem grandes perdas.

Sendo P(A) a probabilidade a priori do pensamento A; P(B), a probabilidade do comportamento B; P(A|B), a probabilidade a posteriori do comportamento B ter sido causado pelo pensamento A e P(B|A), a verossimilhança de B dado A, então, pelo Teorema de Bayes,

P(A|B)=P(B|A)P(A)/P(B).

Ou seja, poderemos ler o pensamento A, ao observar uma pista B, contanto que saibamos em que condições a pista B é gerada pelo pensamento A e as chances de a pessoa estar pensando em A Depois disso, verificamos se P(A|B) possui o maior valor dentre todos os possíveis valores de P(.|B), para um dado conjunto de possíveis pensamentos.

Esta equação serve apenas para ilustrar o processo de leitura do pensamento, a mente deve fazer estas contas automaticamente. O maior problema se deve ao fato de que tanto a probabilidade a priori P(A), quanto a verossimilhança P(B|A), da pessoa alvo serão estimadas pelas probabilidades Q(B|A) e Q(A) do leitor de pensamentos através de um possível sistema de neurônios espelhos. E isto implica em um erro igual à divergência entre P(B|A)P(A) e Q(B|A)Q(A), dado por

D = integral{dAdB P(B|A)P(A) log [ P(B|A) P(A)/( Q(B|A)Q(A) ) ] }

PASSO-A-PASSO A PARA LER PENSAMENTOS

1° Entender os próprios pensamentos. Pois a compreenção sobre isso mesmo será utilizada para inferir informações sobre os outros.

2° Compreender as possíveis relações entre pensamentos, comportamentos e demais conseqüências. Isto para fazer o mapeamento inverso pista -> pensamento. Nesta etapa é interessante descobrir perguntando, se possível, no que as pessoas ao redor estão pensando sempre que notar algum comportamento interessante.

3° Estudar leitura corporal e outras pistas de traços pensamentais. Principalmente das expressões faciais, mas é importante notar que o tom de voz, movimento das mãos e postura também contém muita informação do que vai na cabeça das pessoas. Indicamos o seguinte livro.

4° Estimar pensamentos a partir das pistas observadas na pessoa alvo.

Consciência da contingência para confiar em si mesmo

June 10, 2011

A consciência da contingência é o reconhecimento das relações entre os nossos atos e as conseqüências destes sobre as pessoas e o ambiente que nos cerca [1]. Este texto é baseado no argumento de que sem consciência da contingência não poderemos ter confiança em nós mesmos. Ou seja, para podermos afirmar nossas capacidades devemos primeiro ter uma noção dos limites destas.

A ansiedade é, possivelmente, causada em parte pela falta desta noção do que podemos fazer em situações temidas [2]. O fenótipo ansioso está correlacionado com a diminuição da repostas dos neurônios que respondem à dopamina e diminui nossa noção de autoconfiança. Logo, uma forma de terapia nestas situações é parar e analisar friamente o que podemos e não podemos fazer. A seguir, são mostrados alguns comportamentos pessoalmente testados que tem ajudado a controlar ansiedade, aumentar sua consciência da contingência e, conseqüentemente, autoconfiança.

DISCIPLINAS PARA AUMENTAR CONSCIÊNCIA DA CONTIGÊNCIA

1 – Cronograma de produtividade fixo

O que é? Inspirado pelo texto do Cal Newport no Study Hacks [3], adotamos um cronograma de trabalho que consiste em foco no trabalho durante toda a manhã e tarde até as 17 horas. Dentro deste horário, é proibida qualquer atividade ou leitura não relacionada ao trabalho, fora a pausa para almoço seguido de rápido cochilo sobre a mesa. Porém, depois das 17, nada de trabalho, o que ainda restar a ser feito fica para o dia seguinte.

Como ajuda? Esta atitude ajuda treinar o cérebro para saber separar o horário de diversão do horário de trabalho. É muito importante saber a diferença entre ambos, pois todos precisamos nos divertir e descansar, porém, aquele que não tem horário organizado para isto acaba se distraindo no serviço e passando mais tempo no Facebook e perdido na internet que os demais, e no final das contas, trabalhando bem menos. Deste modo, ter um cronograma fixo aumenta o sentimento de que estamos fazendo nossa parte, que estamos trabalhando corretamente.

2 – Listagem da duração das tarefas

O que é? Antes de começar a trabalhar, anotamos em uma lista o que desejamos fazer e ao lado, quanto tempo esperamos gastar com cada atividade. Com o termino de cada etapa, voltamos à lista e anotamos o tempo real gasto. Por exemplo, a lista a seguir:

Terminar os de exercícios de sistemas lineares – estimado: 3 horas – real: 3 horas

    Desenhar um rosto – estimado 1 hora – real: 3 horas e 20min

    Ler um trecho específico do livro Os Magos de Rochester – estimado 20 min – real: 20 min

Com o passar do tempo e a prática vamos ficando cada vez mais especializados na estimação do tempo que levamos para executar cada coisa de nossa vida. Notem que trabalhos de mais longa duração também podem ser analisados, por exemplo, 60 horas – 2horas/dia para escrever uma monografia.

Como ajuda? A consciência de quanto tempo é preciso para executar tarefas diárias ajuda a melhorar o planejamento do cronograma citado anteriormente, e a aumentar a confiança de que teremos tempo suficiente para cumpri-lo. Por vezes, poderemos deixar, sem ansiedade, uma tarefa para o último minuto, pois teremos certeza de que o último minuto será tempo suficiente. Alguém sem noção de quantas horas precisa para realizar algo normalmente sofre pelo medo de “não dar tempo”. Esta lista simples é muito útil como ferramenta de autoconhecimento produtivo.

3 – Começar cedo

O que é? Evitar a procrastinação e começar a executar o que é preciso sem demoras, é seguir seu cronograma tendo em mente sua lista de durações. O melhor exemplo que temos sobre o assunto é como escrevemos nossa monografia de conclusão de curso. Durante as férias, antes do último período do curso, nós estabelecemos a regra de escrever uma página da monografia por dia, uma página de texto útil, sem contar figuras ou informações adicionais, com o pensamento de que uma página por dia, em 30 dias daria uma monografia suficiente. No final das contas, tiramos nota boa, mantendo um nível de estresse e ansiedade baixos. Recomendamos isto para evitar o cansaço comum em trabalhos longos.

Como ajuda? Nada melhor para ter certeza de que vamos conseguir alcançar nossos objetivos que a sensação de que teremos tempo suficiente pra tal. Logo, começar cedo é a melhor saída para garantir a confiança de resultados desejados com nossas ações.

4 – Autohonestidade

O que é? Autohonestidade é, utilizando do autoconhecimento, não se prometer coisas que não se está disposto a cumprir e quando prometer, fazer de tudo para realizar. Esta palavra implica em não dizer “eu vou estudar mais tarde” quando sinceramente não esperamos fazê-lo, mas estudar a todo custo quando preciso. Autohonestidade é seguir seu cronograma e trabalhar para realizar tudo dentro do tempo predeterminado. Por outro lado, quem muito se promete, muito se frustra e muito se culpa. Isto é tudo tem a ver com o processo da autohonestidade, do autocompromisso, que só pode ser alcançado com determinação e cumprimento das promessas. A explicação disso está no fato de ser mais difícil enganar a si mesmo, se alguém diz que vai mudar e não se esforça, vai continuar se sentindo ansioso e sem confiança em si próprio. Importa ser honesto consigo mesmo, assumindo falhas, vícios, limitações, potenciais e tomando uma postura determinada para realizar o necessário.

Como ajuda? Pode ser que a falta de autoconfiança seja ocasionada por falta de autoresponsabilidade. Logo, evitar a autocorrupção e se manter honesto para com os planos, promessas e dívidas acarretará uma certeza íntima inabalável, tão importante para aqueles que realizam seus sonhos. Aos pouquinhos, a autohonestidade vai tornando a pessoa cada vez mais firme e disposta a se submeter a tarefas cada vez mais exigentes, por confiar que terá responsabilidade bastante.

5 – Silêncio

O que é? Tão importante quanto executar algo bem feito, é aceitar apenas a auto-satisfação como recompensa. Nem sempre teremos alguém para dar aquele tapinha nas costas depois do bom trabalho, não é todo dia que tem um ser vivo disposto a concordar com nossas ações, porém, todos os dias devemos ter noção dos nossos atos e como eles determinam nosso valor pessoal. A consciência da contingência de cada um é uma responsabilidade pessoal, logo “não dizer à esquerda o que faz a direita” [4] também significa silêncio para aumentar a autoconfiança, pois quem é viciado na avaliação alheia da próprio consciência da contingência acaba sem autoconfiança.

Como ajuda? Livre do vício da avaliação alheia o indivíduo chama a responsabilidade de se tornar consciente da própria contingência e paulatinamente se fortalece na confiança em si mesmo.

CONCLUSÃO

Temos nestas técnicas algumas maneiras de desenvolver uma confiança objetiva de quando poderemos esperar resultados de nós mesmos e como nossas ações fornecem resultados desejados, sendo, portanto, ferramentas úteis no processo de incremento da autoconfiança.

Manifesto do movimento otimista cético pragmático

March 4, 2011

O otimista cético pragmático é aquele que educadamente duvida da validade do que se afirma ser o conhecimento em algum departamento especial de inquérito, mas que sempre procura boas interpretações mesmo nas mais tolas bobagens do dia-a-dia. Tudo isto porque ele sabe que na maioria das situações alegria ou tristeza é uma mera questão de escolha.

Em palavras simples, o otimista cético pragmático é alguém que mesmo procurando correções para coisas que sabe estarem muito erradas, decide voluntariamente ficar calmo, sereno e feliz porque ele quer e sua vontade é suficiente.

Muitos, principalmente os pessimistas patológicos, podem declarar ser impossível ficar bem quando tudo vai mal. Na tentativa de convocá-los ao movimento, tem-se os seguintes argumentos.

Argumentos a favor do movimento:

  1. Psicotrópicos podem ativar estados de alegria, calma e paz independentemente das condições sociais, financeiras e econômicas do sujeito. Isto prova que o ânimo de uma pessoa não está 100% correlacionado com sua situação exterior.
  2. Pessoas calmas e otimistas se estressam menos para obter os mesmos resultados que os ansiosos e pessimistas.
  3. Acreditar que se tem o direito de se sentir bem não implica em comodismo. Pois se algo vai bem, sempre se pode trabalhar para melhorar.
  4. Ninguém realmente lucra com o sofrimento de ninguém. Ou seja, sofrer nunca vai ser o resultado mais satisfatório para uma cobrança exterior ou interior.
  5. Otimismo e calma não implicam em indiferença e pusilanimidade, como pregam os contrários. Isto é fato, não existe nenhuma relação obrigatória de causalidade entre estes estados.

Algumas sugestões de conduta:

O otimismo cético pragmático normalmente não é seguido por pessoas com a auto-estima do tamanho da dos que se deixam controlar por listas, horóscopos e afins, mas aí vai:

  1. O otimista cético pragmático normalmente não finge estar triste para agradar, pois sabe que estimular o otimismo e a calma é sempre mais lucrativo psicologicamente.
  2. Se alguém cobrar tristeza para se sentir bem, pode-se sempre lembrar que ninguém é “responsável pelo que os outros acham que se deve fazer”.
  3. O adepto do manifesto normalmente acredita que por mais deprimente, compulsória e chata que seja uma doutrina, religião ou partido, sempre apresentará lados positivos que possam ser explorados para levar alguma alegria e otimismo para seus adeptos.
  4. O otimista cético pragmático tem confiança suficiente no seu poder de auto-sugestão para necessitar de psicotrópicos.
  5. O real adepto do movimento jamais trata os outros deselegantemente, com menosprezo ou ignorância porque implicaria em falta de calma e fraqueza na auto-sugestão de serenidade. Além disso, o verdadeiro otimista sabe que não é porque algo ou alguém está brutalmente errado que vai permanecer para sempre assim.

“Tá tudo errado lá fora, mas eu tou bem porque tou trabalhando para concertar. Mentira, tou bem porque quero. =D” – Moto do movimento otimista cético pragmático

Não julgueis para não serdes julgados pelos neurônios-espelho

April 1, 2010

A seguinte conversa se passou no laboratórios em trabalhamos.

Nós (depois de ler uma notícia sobre neurociência): Escutem isso pessoal:

O cérebro do macaco tem uma classe especial de células, os neurônios-espelho, que disparam quando o animal vê ou ouve uma ação e quando a executa por conta própria. Este é um possível mecanismo que utilizamos para julgar as intenções dos outros a partir das ações.

Nós: Não é interessante, pessoal? Notem, se eu digo PAU e alguém acha que eu me referia ao órgão sexual masculino,  na verdade, a única coisa que se pode afirmar com certeza, é que a pessoa estaria se referindo ao órgão caso ela própria tivesse dito a palavra. Não obrigatoriamente é minha intenção. Fascinante, não?

Um amigo: Ah! Mas isso que tu tá falando é uma completa besteira.

Nós: Acho que tu não entendeu. A idéia é: se TU tivesse falado o que eu falei, seria besteira. ;D

Foi assim que a nossa ignorância finalmente, depois de 2000 anos de convívio com o ensinamento, nos permitiu entender

Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; soltai, e soltar-vos-ão, dai, e dar-se-vos-á. Colocar-vos-ão no regaço medida boa, cheia, recalcada e transbordante, porque, com a mesma medida com que medirdes, sereis medidos vós também. – Lucas 6, 37-38

O negrito foi feito por nós e, na nossa opinião, indica uma função implementada por neurônios-espelhos. Fascinante, não?

THEORETICAL ENGLISH LEARNING PT. 2 – Deliberate Listening

March 29, 2010

Theoretical English Learning é uma série escrita por @arthur_santana sobre aquisição de uma nova língua. Leia também a parte 1.

O uso de material audiovisual para a simulação de situações reais de uso de uma língua estrangeira são, sem sombra de dúvidas, um dos mais eficazes. O áudio combinado com o vídeo proporcionam não somente o contato do ouvido com o inglês, mas também propicia aspectos importantíssimos no momento da comunicação, como a entonação, expressão, gestos, etc. De maneira mais simples, o vídeo nos proporciona um ‘contexto’, muito importante no ato de comunicação.

Aprender inglês utilizando música, por exemplo, me parece muito mais complicado, já que o inglês das músicas não é “falado” e sim “cantado”. Ou seja, muito além de apenas tentar transmitir uma mensagem através da língua, o cantor precisa se preocupar com afinação, harmonia, sem contar os gritos e “uoooouoooos” que devem aparecer no meio das músicas para explicitar a potencia vocal daqueles que interpretam uma canção.

Sendo assim, séries vêem a calhar como alternativa para quem desejar melhor suas habilidades com a língua inglesa. Não são tão demoradas quanto filmes, que também são ótimas ferramentas, mas só para aqueles que possuem mais tempo sobrando.

Entretanto, vale lembrar que tudo deve ser feito de maneira racional. Por mais que House, MD, seja uma das melhores séries no ar atualmente, não aconselharia que alguém que desejar melhorar o inglês a assista com esse propósito. Afinal de contas, termos técnicos da medicina transbordam pelos episódios, e se você, assim como eu, não sabe o que significa metade deles em português, podemos imaginar como será em inglês, certo?

Para iniciantes, aconselho séries “fúteis” que não precisam de grande atenção em cada detalhe da trama para que ela possa ser entendida. Os reality shows da E! são ótimas armas, mesmo que altamente estigmatizadas, para quem quer ter noções básicas e verdadeiramente funcionais de inglês. Exemplo destes reality são

  • The Girls Next Door
  • Keeping Up with the Kardashians
  • Kourtney and Kloé take Miami

Outra dica é fazer uma espécie de nivelamento:

  1. Comece, com ajuda de fones de ouvido, com séries em inglês com legendas em português para que seu ouvido se acostume com a língua.
  2. Depois de algum tempo, mude as legendas de português para inglês. Nessa etapa lembre-se de uma coisa, o contexto é o mais importante, não fique parando o tempo todo para procurar traduções de termos desconhecidos. Quando perceber que já possui certo domínio, tire as legendas de vez.
  3. O próximo passo será abolir os fones de ouvido. Com eles, você isola o som da língua e, numa situação real de uso da língua, isso não acontece. Por isso, comece a assistir tudo em uma TV a certa distancia de você e, de preferência, com pessoas na casa. Você perceberá que a conversa e até mesmo os barulhos mais simples tornam tudo muito mais complicado. Quando fiz isso, tive que voltar a ter ajuda das legendas em inglês, mas é apenas uma questão de costume para que consiga entender o que os personagens dizem sem ter que ler a tradução ou pedir para que todos calem a boca.

Como você pode ver, trata-se de um processo um pouco demorado e progressivo, mas os resultados são impressionantes. Hoje, que já consigo assistir a um filme ou a uma série na TV da sala com barulhos e sons de conversa ao redor sem que isso afete minha compreensão, lancei-me um novo desafio: a tradução, que é algo mais complicado, já que nessa etapa é preciso que eu não só entenda a mensagem, mas que consiga traduzir para o português, todos, ou quase todos, os termos ditos.

Para aqueles que não estão dispostos a tal esforço ainda há algumas alternativas:

  • Converta-se ao espiritismo e peça a Deus que na próxima encarnação nasça na terra do tio Sam;
  • Ou então, faça um intercâmbio. Caso não tenha dinheiro, lembre-se da Sol e procure um coiote online! Mas é bom que aprenda logo a dançar em cima do balcão. #TENSO

Pra que e como ser ambidestro?

March 24, 2010

Um amigo nosso perguntou se era possível forçar/treinar ambidestria depois que leu sobre Os sete hábitos de trabalho de Aluísio Azevedo, outro perguntou sobre o motivo do nosso mouse estar “do outro lado”. Para responder estas perguntas e estimular uma prática que acreditamos ser muito saudável é que analisaremos a teoria prática por trás da ambidestria.

PRA QUE SER AMBIDESTRO

Antes de mais nada, alguns estímulos para desenvolver o lado não dominante

  1. O que diz o espelho. Temos boas chances de acertar quando dizemos que o ombro do seu lado dominante (o direito, sem diminuir muito as chances) é mais baixo. Ser torto não é muito elegante, além disso, ao longo do tempo, forçar preferencialmente um lado do corpo pode machucar a coluna.
  2. Conversar com o outro lado do cérebro. Alguns pacientes cujos hemisférios cerebrais são separados (na verdade, uma pontezinha de neurônios é cortada) em cirurgias relatam terem sensações das quais não conseguem falar sobre. Isto porque, em geral, a atividade dos pensamentos que eles tiveram estar localizada em um lado e o controle motor para a fala se realizar do outro. Sem ter que ouvir nossos amigos estudantes de neurociência reclamar da nossa falta de rigor e incorreção, podemos dizer também que escrever com a mão não dominante gera sensações novas e diferente da de escrever “com a mão certa”. Às vezes é preciso ser mais criativo para se esperssar corretamente e em poucas palavras, principalemente quando treinando a “mão lenta”.
  3. Se o piloto morrer… Eu não gosto desta desculpa para aprender a controlar aviões, mas se por um acaso machucarmos um braço é bom estar preparado para usar o outro.
  4. Auto-otimização de 50%. “Essa minha mão é inútil”, “nunca fiz gol de pé esquerdo”, “cortei um dedinho, não posso fazer prova”. Este tipo de afimações demonstram quão pouco eficientes e robustos a falhas somos com relação a nós mesmos. Para reverter este quadro continuemos a leitura.

COMO SER AMBIDESTRO

Aqui vão algumas hábitos que desenvolvemos e pesquisamos para desenvolver nossas canhotas.

  1. Escolha um objetivo e tenha paciência. Escolher uma meta serve como guia para os exercícios que se seguem e a paciência é para não exigir os mesmos resultados, imediamente, que podemos obter com a destra. Em particular, nosso objetivo é escrever e desenhar com a mão esquerda.
  2. Volte a ser criança. Pegue uma caligrafia infantil, um lápis de ponta resistente e comece a escrever com sua “nova mão”. Um coisa é muito importante, assim como nossas professoras e mães foram pacientes quando aprendemos a escrever pela primeira vez, é importante nos darmos tempo suficiente nesta segunda.
  3. Mude as coisas de lugar. Além do lápis, passe o mouse do seu computador, a escova de dentes, o garfo, o violão e tudo quanto for possível para a mão a ser treinada.
  4. Exercícios concentrados. Na academia sempre nos dizem para fazer os exercícios “concentrados”. Eles se referem a fazer as repetições com calma e aplicando a mesma força com os dois lados do corpo. Isto vai fortacelar os braços e as pernas em equilíbrio, além de realinhar nossos ombros. Esta dica também vale para aquelas flexões e abdominais que fazemos em casa.
  5. Andando como a Gisele. Peguemos dois vídeos da Gisele Bundchen, um do começo da carreira e outra do auge e veremos como o jeito de andar melhorou. No começo ela concetrava a pisada na perna direita e fazia este lado da cintura ir mais alto, era feio. Ambidestria é sobre equilíbrio dos dois lados e, ter atenção à maneira de caminhar e à todas as coisas simples do dia-a-dia, faz toda a diferença. O segredo é treinar para pisar, balançar os braços e o tronco, tudo igualmente.
  6. Malabarismo. Isto é realemente muito divertido e ajuda bastante. Pegue três bolas (servem três limões grandres) e treine primeiro a mão não dominante com apenas uma bola. Depois, com duas bolas e apenas uma mão. Por último, o exercício com duas bolas mas reversando entre as mãos. Para malabarismo com quatro bolas, veja o vídeo.
  7. Exercícios de coordenação motora. Existem também alguns outros exercícios de coordenação motora, além do malabarismo, como escrever com as duas mãos ao mesmo tempo para que uma “ensine” a outra, dançar, jogar video game, em fim, tudo que exija que não nos limitemos a apenas um lado e crie novas conexões em nossos cérebros. Quanto mais coisas nos treinarmos para fazer, melhor o controle que teremos sobre nosso lado não dominante.

Resumindo para um corpo harmônico e ambidestro temos que disciplinar nossa paciencia, treinos, atenção aos detalhes de nossas ações e lembrar que não somos apenas meia pessoa. Da próxima vez que nos perguntarem se somos canhotos ou destros responderesmos, com sinseridade, SIM.

Theoretical English Learning

March 21, 2010
Estreio minha participação nesse blog com um post sugerido por Éder.
Confesso que me orgulho de ser capaz de me comunicar através da língua inglesa, mesmo que tal feito não seja lá tão impossível de ser realizado. E é esse pensamento que cada pessoa que decide aprender uma língua estrangeira deve ter em mente: Não se trata de algo difícil. Primeiro porque é uma habilidade natural do ser humano, além disso, caso o primeiro argumento não tenha convencido, fique sabendo que a Luciana Gimenez fala inglês perfeitamente, e na boa, se ela pode, QUALQUER UM também consegue.
Aprendi inglês assistindo TV. Ok, até tive aulas do idioma na escola e em um curso especializado, mas confesso que isso não deve ter representado nem 20% do meu aprendizado.
Alguns Linguístas diferenciam a aquisição do  aprendizado de língua estrangeira. O aprendizado se daria através de métodos formais, como aulas e estudo de regras, enquanto que a aquisição se daria de maneira mais informal, uma pessoa que aprende a falar inglês apenas pelo fato de ter feito um intercâmbio nos Estados Unidos, serve como exemplo. É por isso, portanto, que nos referimos à aquisição de língua materna, e não aprendizado, já que ninguém chega ao extremo de colocar um bebê sentado em uma cadeira, munido de cadernos e livros, enquanto o ensina regras de sintaxe.
  • Raciocinemos: Nem todo mundo que somente assiste aulas de inglês na escola ou no curso, por exemplo, domina o idioma, certo?
O aprendizado, neste caso, não surte o efeito desejado. O que fazer? Ora, se só o aprendizado não deu conta, que tal um pouco de aquisição?
A característica principal de um intercâmbio é o contado natural que o indivíduo tem com a língua e, graças à tecnologia de que hoje dispomos, esse contato natural pode ser simulado de diversas maneiras. Por exemplo:
  1. Escute músicas,
  2. assista videologs de adolescente reclamando da mãe no YouTube ou,
  3. faça como eu fiz, veja séries, de preferência muitas*.

Em um próximo post explico o porquê da minha preferência por séries e posto um passo a passo de como utilizá-las para melhorar seu inglês.

Por enquanto, é só.
*O autor deste post acompanha, em média, 10 séries por temporada, dentre elas The Big Bang Theory, Two and a Half Man e Lost. Ele não precisa de legendas para nenhuma. Acompanhe os próximos posts para conhecer a teoria que ele aplicou para atingir este nível de prática. – Nota do Editor

A mente harmonizada: o equilíbrio entre esforços ativos e passivos

March 18, 2010

Em nosso texto Siga o exemplo dos grandes cientistas e leia menos propusemos que os bem sucedidos intelectualmente tem em comum a característica de se dedicaram mais a esforços ativos (organizar idéias, resolver exercícios, escrever blogs, etc) que passivos (assistir TV, ler, ouvir música, etc).

Com o intuito de impedir que algum leitor se esgote mentalmente por “sugestão nossa”, lembramos que para tudo na vida é necessário equilíbrio. Como vai escrito em nossas mensagens de MSN, nada pode ficar de fora e nada pode existir em excesso.

Schopenhauer disse que não é lendo que absorvemos conhecimentos, assim como não é engolindo que nos alimentamos, mas é pela absorção dos nutrientes, sejam eles alimentares ou intelectuais, que a pessoa se desenvolve.

Utilizando a mesma metáfora digestória, segue-se que aquele que mantem-se sempre em atividades passivas (engolindo, lendo) adoecerá por excesso, assim como, aquele sempre na ativa (absorvendo, escrevendo) sofrerá de inanição.

Concluímos sugerindo que o leito busque por uma correta organização de tempo que o ajude a ser harmonizado mentalmente, intercalando esforços passivos e ativos.

Credito da imagem: Garrett Lisi um físico teórico surfista que vive em Maui em quem botamos mó fé.