Archive for the ‘Dicas’ Category

Consciência da contingência para confiar em si mesmo

June 10, 2011

A consciência da contingência é o reconhecimento das relações entre os nossos atos e as conseqüências destes sobre as pessoas e o ambiente que nos cerca [1]. Este texto é baseado no argumento de que sem consciência da contingência não poderemos ter confiança em nós mesmos. Ou seja, para podermos afirmar nossas capacidades devemos primeiro ter uma noção dos limites destas.

A ansiedade é, possivelmente, causada em parte pela falta desta noção do que podemos fazer em situações temidas [2]. O fenótipo ansioso está correlacionado com a diminuição da repostas dos neurônios que respondem à dopamina e diminui nossa noção de autoconfiança. Logo, uma forma de terapia nestas situações é parar e analisar friamente o que podemos e não podemos fazer. A seguir, são mostrados alguns comportamentos pessoalmente testados que tem ajudado a controlar ansiedade, aumentar sua consciência da contingência e, conseqüentemente, autoconfiança.

DISCIPLINAS PARA AUMENTAR CONSCIÊNCIA DA CONTIGÊNCIA

1 – Cronograma de produtividade fixo

O que é? Inspirado pelo texto do Cal Newport no Study Hacks [3], adotamos um cronograma de trabalho que consiste em foco no trabalho durante toda a manhã e tarde até as 17 horas. Dentro deste horário, é proibida qualquer atividade ou leitura não relacionada ao trabalho, fora a pausa para almoço seguido de rápido cochilo sobre a mesa. Porém, depois das 17, nada de trabalho, o que ainda restar a ser feito fica para o dia seguinte.

Como ajuda? Esta atitude ajuda treinar o cérebro para saber separar o horário de diversão do horário de trabalho. É muito importante saber a diferença entre ambos, pois todos precisamos nos divertir e descansar, porém, aquele que não tem horário organizado para isto acaba se distraindo no serviço e passando mais tempo no Facebook e perdido na internet que os demais, e no final das contas, trabalhando bem menos. Deste modo, ter um cronograma fixo aumenta o sentimento de que estamos fazendo nossa parte, que estamos trabalhando corretamente.

2 – Listagem da duração das tarefas

O que é? Antes de começar a trabalhar, anotamos em uma lista o que desejamos fazer e ao lado, quanto tempo esperamos gastar com cada atividade. Com o termino de cada etapa, voltamos à lista e anotamos o tempo real gasto. Por exemplo, a lista a seguir:

Terminar os de exercícios de sistemas lineares – estimado: 3 horas – real: 3 horas

    Desenhar um rosto – estimado 1 hora – real: 3 horas e 20min

    Ler um trecho específico do livro Os Magos de Rochester – estimado 20 min – real: 20 min

Com o passar do tempo e a prática vamos ficando cada vez mais especializados na estimação do tempo que levamos para executar cada coisa de nossa vida. Notem que trabalhos de mais longa duração também podem ser analisados, por exemplo, 60 horas – 2horas/dia para escrever uma monografia.

Como ajuda? A consciência de quanto tempo é preciso para executar tarefas diárias ajuda a melhorar o planejamento do cronograma citado anteriormente, e a aumentar a confiança de que teremos tempo suficiente para cumpri-lo. Por vezes, poderemos deixar, sem ansiedade, uma tarefa para o último minuto, pois teremos certeza de que o último minuto será tempo suficiente. Alguém sem noção de quantas horas precisa para realizar algo normalmente sofre pelo medo de “não dar tempo”. Esta lista simples é muito útil como ferramenta de autoconhecimento produtivo.

3 – Começar cedo

O que é? Evitar a procrastinação e começar a executar o que é preciso sem demoras, é seguir seu cronograma tendo em mente sua lista de durações. O melhor exemplo que temos sobre o assunto é como escrevemos nossa monografia de conclusão de curso. Durante as férias, antes do último período do curso, nós estabelecemos a regra de escrever uma página da monografia por dia, uma página de texto útil, sem contar figuras ou informações adicionais, com o pensamento de que uma página por dia, em 30 dias daria uma monografia suficiente. No final das contas, tiramos nota boa, mantendo um nível de estresse e ansiedade baixos. Recomendamos isto para evitar o cansaço comum em trabalhos longos.

Como ajuda? Nada melhor para ter certeza de que vamos conseguir alcançar nossos objetivos que a sensação de que teremos tempo suficiente pra tal. Logo, começar cedo é a melhor saída para garantir a confiança de resultados desejados com nossas ações.

4 – Autohonestidade

O que é? Autohonestidade é, utilizando do autoconhecimento, não se prometer coisas que não se está disposto a cumprir e quando prometer, fazer de tudo para realizar. Esta palavra implica em não dizer “eu vou estudar mais tarde” quando sinceramente não esperamos fazê-lo, mas estudar a todo custo quando preciso. Autohonestidade é seguir seu cronograma e trabalhar para realizar tudo dentro do tempo predeterminado. Por outro lado, quem muito se promete, muito se frustra e muito se culpa. Isto é tudo tem a ver com o processo da autohonestidade, do autocompromisso, que só pode ser alcançado com determinação e cumprimento das promessas. A explicação disso está no fato de ser mais difícil enganar a si mesmo, se alguém diz que vai mudar e não se esforça, vai continuar se sentindo ansioso e sem confiança em si próprio. Importa ser honesto consigo mesmo, assumindo falhas, vícios, limitações, potenciais e tomando uma postura determinada para realizar o necessário.

Como ajuda? Pode ser que a falta de autoconfiança seja ocasionada por falta de autoresponsabilidade. Logo, evitar a autocorrupção e se manter honesto para com os planos, promessas e dívidas acarretará uma certeza íntima inabalável, tão importante para aqueles que realizam seus sonhos. Aos pouquinhos, a autohonestidade vai tornando a pessoa cada vez mais firme e disposta a se submeter a tarefas cada vez mais exigentes, por confiar que terá responsabilidade bastante.

5 – Silêncio

O que é? Tão importante quanto executar algo bem feito, é aceitar apenas a auto-satisfação como recompensa. Nem sempre teremos alguém para dar aquele tapinha nas costas depois do bom trabalho, não é todo dia que tem um ser vivo disposto a concordar com nossas ações, porém, todos os dias devemos ter noção dos nossos atos e como eles determinam nosso valor pessoal. A consciência da contingência de cada um é uma responsabilidade pessoal, logo “não dizer à esquerda o que faz a direita” [4] também significa silêncio para aumentar a autoconfiança, pois quem é viciado na avaliação alheia da próprio consciência da contingência acaba sem autoconfiança.

Como ajuda? Livre do vício da avaliação alheia o indivíduo chama a responsabilidade de se tornar consciente da própria contingência e paulatinamente se fortalece na confiança em si mesmo.

CONCLUSÃO

Temos nestas técnicas algumas maneiras de desenvolver uma confiança objetiva de quando poderemos esperar resultados de nós mesmos e como nossas ações fornecem resultados desejados, sendo, portanto, ferramentas úteis no processo de incremento da autoconfiança.

Conselhos para o estudante de engenharia – por Leonardo da Vinci

March 6, 2011

Este texto é inspirado no livro The Notebooks of Leonardo da Vinci

O seguinte post é uma invenção tradução do recém encontrado “Trattato della Ingegneria” do meu amigo próximo, Leonardo di ser Piero da Vinci. Mamãe só o chama de Leo. Este tratado consiste em um livreto que contém entre desenhos e fórmulas, 10 dicas para guiar o aluno de Engenharia, como mostrado nas figuras abaixo. O texto foi todo escrito com a mão esquerda e de trás para frente e é conhecido como “Codice Lvdovicienzzi”. Nós precisáramos de um espelho e de um dicionário de italiano toscano antigo para tradução. Esperamos que o leitor achasse o texto útil.

  1. La sapieta è figliola della sperieta. A sabedoria é filha da experiência. E no curso de engenharia, os alunos são cobrados resultados práticos e não discursos convincentes, ou provas de que leram enciclopédias, portanto, é mais importante se dedicar a resolver o maior número de exercícios e realizar experimentos laboratoriais que ler a opinião das pessoas sobre o assunto.
  2. Quelli che s’inamora di pratica saza scietia so come ‘l nocchiere Che etra navilio sanza timone e bussola, chè mai à certezza dove si vada. Aquele que se apaixona pela prática sem ciência é como o marinheiro que entra em um navio sem timão ou bússola, e que nunca tem certeza para onde vai. Assim, sabemos que a prática é mais importante e que a resolução de exercícios é que vão garantir boas notas. Mas vale lembrar que esquecer o valor de uma boa teoria é uma tolice. Então, a regra é ler um pouco para entender a teoria e praticar o dobro para ganhar experiência.
  3. Nessuna certezza delle scietie è, dove no si può applicare vna delle scietie matematiche e che non sono vnite com esse matematiche.
    Não há certeza nas ciências em que uma ciência matemática não pode ser aplicada, ou que não tem relação com matemáticas. Engenharia é escrita na linguagem da matemática e da precisão, logo, se o candidato a engenheiro não tem muita prática com esta ciência, é importante que ele dedique algum tempo para fazer exercícios e acostumar sua intuição com a Arte. Em um próximo post publicaremos “Como estudar Matemática: entendendo equações como um pintor” também escrito por Leo e nós.
  4. Tristo è quel discepolo che nona vaza Il suo maestro.
    Triste é o discípulo que não supera o seu mestre. A tecnologia está sempre avançando. Novos materiais de estudos surgem a cada dia nas bibliotecas e internet. Se tu não gostas ou não entendes o teu professor, não odeie a disciplina ou ache que não podes aprender. Apenas procure por novas fontes de explicação e supere as de seu mestre. E repetimos, tenha tuas próprias experiências, sejam elas matemáticas ou laboratoriais.
  5. Dico e confermo che ‘l disegniare i copagnia è molto meglio che solo. Eu digo e repito que desenhar estudar engenharia é muito melhor em companhia que sozinho. Ajuda bastante ter um grupo de estudos que se reúna semanalmente ou mensalmente para compartilhar experiências e resolver exercícios. Além disso, a responsabilidade de fornecer material de qualidade para os colegas estimula o estudante a se dedicar e evita a sobrecarga de tarefas.
  6. E se tu sarai solo tu sarai tutto tuo, e se serai acompagniato da uno solo copagnio sarai mezzo tuo. Se tu estiveres sozinho, serás todo teu, se tiveres uma companhia, serás apenas metade teu. Isto é, por mais que tenhamos um grupo de estudo, é necessário que também tenhamos momentos diários para trabalharmos sozinhos e guiados somente por nossos pensamentos, sem os empecilhos causados por companhias indiscretas, celulares, facesbook ou MSN pombo correio, ou outras distrações.
  7. Questa benigna natura ne provede i modo che per tutto Il modo tu trovi dove imitare. A Natureza beneficientemente provê por todo mundo algo que você possa achar para imitar. Deste modo, sempre que precisamos de um projeto, tema para dissertação ou monografia, é mais sábio procurar pelo mundo algum exemplo que nos sirva de inspiração, que inventar algo de nossas cabeças, sem nenhuma experiência para respaldar. Achar tais exemplos se torna ainda mais fácil quando o aluno se engaja desde os primeiros períodos para trabalhar em um laboratório de pesquisa ou de prestação de serviços.
  8. e quelli notare co brevi segni in questa forma su um tuo Piccolo libretto, Il quale tu devi sepre portar co teco… E tome notas breves em um pequeno caderno que tu deves sempre carregar contigo. Nossa memória tem limitações e em um mundo tão vasto quanto o das engenharias e matemáticas, é necessário tomar notas. Além disso, o simples ato de escrever sobre um assunto ajuda na assimilação e rememoração. Isto não significa que o aluno deva transcrever toda uma aula ou escrever toda idéia que surja na cabeça. Mas é imprescindível fazer anotações simples, inteligíveis e que possam ser retrabalhados com mais cuidado quando se tiver tempo.
  9. … perchè gli manca assai di degnità a fare vna cosa bene e l’altra male… Porque há muita falta de auto-respeito em se fazer algumas coisas bem e outras mal. Ou seja, nada de escolher duas ou três disciplinas para ir bem e se conformar com notas baixas nas outras. O ser humano tem limitações por Natureza, não que isto seja vergonhoso, mas nem por isso devemos viver sem fazer um esforço para obter resultados aceitáveis nas exigências básicas. Saiba reservar um tempo para estudar todas as disciplinas do período.
  10. Chi uuole essere ricco in v dì e impiccato in vn anno. Aquele que quiser enricar em um dia será enforcado em um ano. Em um mercado tão competitivo como o das Engenharias, é tolice achar que vai se tornar bem sucedido rapidamente. Nenhuma boa idéia, nem mesmo boas notas, virão sem o esforço devido e experiência. Todo bom engenheiro tem que se esforçar e quanto mais sedo ele começar o seu trabalho, mais tempo terá para fazer uma boa obra. Deste modo, não deixe os trabalhos, estudos para provas ou mesmo a monografia para o último momento ou período. Adiante seus trabalhos aos poucos, sem pressa, mas sem parar. Ao aluno, desejamos boa vontade, paciência e boa sorte!

PS: Como todo bom engenheiro, Leonardo também nos deixou piadas:

Fu dimadato vn pittore perchè, faciedo lui de’ figure si belle che era cose morte, per che causa esso avesse fatti i figlioli si brutti; allora Il pittore rispose che le pitture fecie di dì, e i figlioli di notte. Perguntaram a um pintor porque ele fazia tantas figuras belas, que são coisas sem vida, mas fazia seus filhos tão feios. Ao que o pintor respondeu: – É que minhas pinturas eu faço de dia e meus filhos, faço a noite. – Leo.

Técnica de desassédio consciencial inspirada por Richard Feynaman

February 22, 2011

Primeiro, assediador consciencial é aquela consciência (espírito ou pessoa) intra ou extrafísica cujo convívio social deixa de ser baseado na cooperação, e passa a envolver simbiose, parasitismo ou outra interdependência patológica. Exemplos de assediadores conscienciais são os pidões, os invejosos, os ciumentos, os apaixonados, os ditadores, os obsessores, as larvas e os vampiros extrafísicos.
Os tratamentos menos úteis que podemos dar a um assediador é a raiva ou ódio, por um lado, e a ratificação ou apoio por outro. O melhor a ser feito é reconhecer o caráter do assédio e esclarecer as partes envolvidas, se possível.
O maior problema é o fato de algumas pessoas se deixarem ser assediadas por acreditarem que estão sendo caridosas ou por um sentimento de auto-culpa que as leva, inconscientemente ou não, a se submeterem à penitência do assédio. De uma forma ou de outra, aceitar o assédio é também uma patologia consciencial.
No vídeo a seguir, temos uma parte da entrevista do físico Richard Feynman onde ele comenta muito sabiamente “eu não sou responsável pelo que as outras pessoas acham que eu posso fazer”.

E é por aí mesmo. Ninguém deve se submeter a exigências insalubres baseadas nas concepções erradas dos outros. Toda vez que alguém exigir algo que acreditamos estar fora de nosso alcance ou que nos prive de um humor saudável, temos o direito de dizer “eu não sou responsável pelo que esta pessoa acha que devo fazer”. Além disso, há situações em que o melhor que podemos fazer pelas pessoas é não fazer nada.

PS: A transcrição da entrevista do Richard Feynaman pode ser lida no seguinte site http://tinyurl.com/4kgxthe. Este post comenta sobre a seção “I don’t Have to Be Good Because They Think I’m Going to Be Good.”

Pra que e como ser ambidestro?

March 24, 2010

Um amigo nosso perguntou se era possível forçar/treinar ambidestria depois que leu sobre Os sete hábitos de trabalho de Aluísio Azevedo, outro perguntou sobre o motivo do nosso mouse estar “do outro lado”. Para responder estas perguntas e estimular uma prática que acreditamos ser muito saudável é que analisaremos a teoria prática por trás da ambidestria.

PRA QUE SER AMBIDESTRO

Antes de mais nada, alguns estímulos para desenvolver o lado não dominante

  1. O que diz o espelho. Temos boas chances de acertar quando dizemos que o ombro do seu lado dominante (o direito, sem diminuir muito as chances) é mais baixo. Ser torto não é muito elegante, além disso, ao longo do tempo, forçar preferencialmente um lado do corpo pode machucar a coluna.
  2. Conversar com o outro lado do cérebro. Alguns pacientes cujos hemisférios cerebrais são separados (na verdade, uma pontezinha de neurônios é cortada) em cirurgias relatam terem sensações das quais não conseguem falar sobre. Isto porque, em geral, a atividade dos pensamentos que eles tiveram estar localizada em um lado e o controle motor para a fala se realizar do outro. Sem ter que ouvir nossos amigos estudantes de neurociência reclamar da nossa falta de rigor e incorreção, podemos dizer também que escrever com a mão não dominante gera sensações novas e diferente da de escrever “com a mão certa”. Às vezes é preciso ser mais criativo para se esperssar corretamente e em poucas palavras, principalemente quando treinando a “mão lenta”.
  3. Se o piloto morrer… Eu não gosto desta desculpa para aprender a controlar aviões, mas se por um acaso machucarmos um braço é bom estar preparado para usar o outro.
  4. Auto-otimização de 50%. “Essa minha mão é inútil”, “nunca fiz gol de pé esquerdo”, “cortei um dedinho, não posso fazer prova”. Este tipo de afimações demonstram quão pouco eficientes e robustos a falhas somos com relação a nós mesmos. Para reverter este quadro continuemos a leitura.

COMO SER AMBIDESTRO

Aqui vão algumas hábitos que desenvolvemos e pesquisamos para desenvolver nossas canhotas.

  1. Escolha um objetivo e tenha paciência. Escolher uma meta serve como guia para os exercícios que se seguem e a paciência é para não exigir os mesmos resultados, imediamente, que podemos obter com a destra. Em particular, nosso objetivo é escrever e desenhar com a mão esquerda.
  2. Volte a ser criança. Pegue uma caligrafia infantil, um lápis de ponta resistente e comece a escrever com sua “nova mão”. Um coisa é muito importante, assim como nossas professoras e mães foram pacientes quando aprendemos a escrever pela primeira vez, é importante nos darmos tempo suficiente nesta segunda.
  3. Mude as coisas de lugar. Além do lápis, passe o mouse do seu computador, a escova de dentes, o garfo, o violão e tudo quanto for possível para a mão a ser treinada.
  4. Exercícios concentrados. Na academia sempre nos dizem para fazer os exercícios “concentrados”. Eles se referem a fazer as repetições com calma e aplicando a mesma força com os dois lados do corpo. Isto vai fortacelar os braços e as pernas em equilíbrio, além de realinhar nossos ombros. Esta dica também vale para aquelas flexões e abdominais que fazemos em casa.
  5. Andando como a Gisele. Peguemos dois vídeos da Gisele Bundchen, um do começo da carreira e outra do auge e veremos como o jeito de andar melhorou. No começo ela concetrava a pisada na perna direita e fazia este lado da cintura ir mais alto, era feio. Ambidestria é sobre equilíbrio dos dois lados e, ter atenção à maneira de caminhar e à todas as coisas simples do dia-a-dia, faz toda a diferença. O segredo é treinar para pisar, balançar os braços e o tronco, tudo igualmente.
  6. Malabarismo. Isto é realemente muito divertido e ajuda bastante. Pegue três bolas (servem três limões grandres) e treine primeiro a mão não dominante com apenas uma bola. Depois, com duas bolas e apenas uma mão. Por último, o exercício com duas bolas mas reversando entre as mãos. Para malabarismo com quatro bolas, veja o vídeo.
  7. Exercícios de coordenação motora. Existem também alguns outros exercícios de coordenação motora, além do malabarismo, como escrever com as duas mãos ao mesmo tempo para que uma “ensine” a outra, dançar, jogar video game, em fim, tudo que exija que não nos limitemos a apenas um lado e crie novas conexões em nossos cérebros. Quanto mais coisas nos treinarmos para fazer, melhor o controle que teremos sobre nosso lado não dominante.

Resumindo para um corpo harmônico e ambidestro temos que disciplinar nossa paciencia, treinos, atenção aos detalhes de nossas ações e lembrar que não somos apenas meia pessoa. Da próxima vez que nos perguntarem se somos canhotos ou destros responderesmos, com sinseridade, SIM.

Os sete hábitos de trabalho de Aluísio Azevedo

March 20, 2010

“Eu me divirto com a mediocridade alheia”. (um nosso irmão)

“Ah, meu filho, eu não nasci pra viver em cortiço”. (mamãe)

As frazes acima foram as que nos motivaram a ler o O Cortiço de Aluísio Azevedo. Na  edição deste livro que tem aqui em casa, vão algumas considerações interessantes sobre o autor, dizendo inclusive, que ele foi o primeiro brasileiro a viver unicamente da literatura. Achei muito interessante um conterrâneo ser o primeiro a fazer algo, visto que nossa terra (São Luís do Maranhão) tem fama de copiar e abrir barbearias uma do lado da outra pra “fazer concorrência”. Porém, o fato deste escritor ter vivido no século XIX fez com que não seja fácil obter informações cruciais do tipo “como esse sujeito fazia pra conseguir sobreviver só escrevendo?”. Isto é o que nos inspirou a [invent…|deletar] teorizar Os sete hábitos de trabalho de Aluísio  Azevedo.

  1. Acordar cedo e escrever. Por se levantar às 4:30 da manhã, Aluísio tinha a casa em total silêncio por pelo menos quatro horas. Além disso, isto fez com que ele pudesse trabalhar todos os dias no horário em que estava mais bem disposto e muito antes das obrigações triviais.
  2. Trabalhar em blocos de tempo. Enquanto escrevia Casa de Pensão, o autor percebeu que era mais produtivo quando fazia pequenas pausas após alguns períodos de trabalho. Por isso, ele se valia de uma ampulheta que o fazia levantar de 50 em 50 minutos para descansos de 10 minutos para fazer alguns alongamentos, comer umas frutas, ir ao banheiro, etc. Ele afirma que esta é uma boa prática porque distrações são inevitáveis, logo, o melhor a se fazer é definir uma ordem para distração.
  3. Água sempre à mão enquanto trabalha. O senhor escritor de O Mulato fazia aquelas rápidas meditações, para decidir a melhor forma de escrever alguma idéia, ingerindo alguns goles d’água. Disse em uma carta à esposa que água o ajudava a receber inspiração, além disso, evitava ter que levantar antes do horário de descanso só para se hidratar.
  4. Dois projetos por vez, um por dia. Enquanto trabalhava em obras naturalistas, que denominava artísticas, Azevedo também escrevia romances de folhetim comerciais que ajudavam a manter as contas em dia. Ele sempre trabalhava em uma obra artística e umacomercial ao mesmo tempo, no entanto, só escrevia para uma ou outra por dia, para evitar se sentir sobrecarregado. Em um de seus diários vai escrito “…como o atleta que num dia exercita os braços e no outro as pernas, eu forço os meus bíceps naturalistas alternadamente com os gastrocnêmios românticos. Enquanto um músculo trabalha, outro descansa e ambos se desenvolvem…”
  5. Ambidestria. Passar horas e horas escrevendo não é fácil. Lesões nos punhos e ombros eram (e ainda são) um mal comum entre os autores. Além disso, o escritor em questão se recusava a “desperdiçar um membro útil” e treinou diariamente sua mão esquerda para escrever tão bem e rapidamente quanto a esquerda.
  6. Redação bosquejada. Ele aprendeu a desenhar e pintar quando pequeno. E é por isso que sua mesa de trabalho estava sempre cheia de ilustrações que fazia para serem utilizadas como referências do que deveria descrever de cada cena. O desenho o ajudava a não se sentir perdido e o impedia de ser prolixo.
  7. Inspirar-se lá fora. Seguindo os exemplos de Zola, que conviveu seis meses com os mineiros mineradores para escrever Germinal, A2 ia toda sexta feira para os bares de classe média e baixa “olhar o movimento“. Esta experiência com aqueles que analisava deu tamanha veracidade a suas obras que as suas vizinhas malediziam: “… eu é que não sei se Azevedo não andou se engatando nos toutiços das lavadeiras de quem ele fala em seus “livros nojentos” (como o povo se referia às obras naturalistas)”.
… Artur, meu irmão, espero um dia que meus métodos sirvam de inspiração para gerações futuras. Não para deixar testemunho de mim mesmo, mas para que sobreviva a obra sobre o homem… (Aluísio Azevedo, em uma carta ao irmão mais velho)
Créditos das imagens: Wikipedia e Editora Avenida

O que queremos ser quando blogar?

March 15, 2010

Tenho 93,58% de certeza que não somos os único que acordam na segunda como crítico de cinema, auterofilista na terça, vão dormir geneticista na quarta e se imaginam em congressos sobre cognitivismo aplicado ao desenvolvimento de ambientes de trabalho acadêmico na quinta (só pra começar a semana). Mas, conciliar ter bater que bater ponto todo santo dia de semana numa faculdade, escritório e afins com esse lado multitarefas, faz qualquer idéia de necessidade de foco passar longe. Na outra mão (soa melhor em inglês), deixar de lado estes impulsos de se sentir conectado com tudo no mundo pode ser muito frustrante.
Para tentar resolver este problema, podemos recorrer à nossa prática favorita aqui no Theoretical Something:

  • Pedir ajuda aos clássicos

Particularmente, as referências que nos vem em mente no momento são Jesus, Buda, Dirac e Leonardo da Vinci.
Pesquisando sobre Jesus temos que o que importa é cuidar do dia de hoje, pois o amanhã já tem suas preocupações. De Buda temos que toda as satisfações e problemas nascem e terminam dentro da mente. Lembrando Dirac, tomamos nota de que a busca pela satisfação estética é uma boa direção a seguir mesmo em áreas como matemática e física de partículas. Com Leonardo, temos  vários cadernos cheios de notas em uma ordem (aparentemente) inexistente sobre assuntos que vão de pintura, à astronomia, passando por botânica, escultura, música, engenharia militar e tudo aquilo que algum dia na vida já quisemos fazer.
Legal, agora como juntar tudo que aprendemos e resolver nosso problema de crise de personalidade profissional? Nossas conclusões nos levam a pensar em

  • Escrever para agradar nossas mentes no momento com algo bonito sobre o assunto que der na telha.

Normalmete, nossas necessidades de encarnar o zoólogo experimental não são muito profundas, bastando, para tanto, fazer alguma coisinha para satisfazer, como escrever um post. Quando a vontade de se tornar piloto de avião comercial é mais séria, escrever um texto sobre as espectativas, prós e contras também pode ajudar.
Portanto, esperamos que nossos leitores não se incomodem se uma vez ou outra convidarmos um político, mecânico, cozinheiro e professor de ikebana para fazer uns posts por aqui.

Se alguém tiver outras idéias sobre como manistestar necessidades intelectuais sem compromisso e perda de foco no trabalho, por favor, compartilhe-as conosco.

Credito da imagem: aqui

Siga o exemplo dos grandes cientistas e leia menos

March 11, 2010

Um alerta. Se você está lendo este texto pensando que vai encontrar alguma técnica misteriosa que vá te ajudar a ter melhores notas sem esforço clique aqui.

Para os que não clicaram, deixem-me explicar melhor. A idéia fundamental aqui, é que acreditamos que os grandes cientistas, os melhores alunos da sua turma e todos aqueles que queremos ser quando crescer tem como uma das diferenças, dos que saem na primeira semana do Big Brother, o fato de

1 – Eles gastarem mais tempo em esforços ativos que passivos.

Com que foi exposto até agora, o leitor concordará com nosso ponto de vista se provarmos que a afirmação 1 é correta e demonstrarmos que “ler” é um esforço passivo, concordam?

Partindo deste ponto, é fácil perceber que o que Einstein tem de diferente dos outros professores é que ele ESCREVEU a Teoria da Relatividade, o cdf da sua turma TIROU as melhores notas. Ambos construíram, externalizaram, contribuíram com algo de fato. Agora, simplesmente ler não leva ninguém a lugar nenhum. Outro escreveu, fez o esforço ativo e nós, de mentes descansadas, absorvemos, fazendo, às vezes, algum esforço ativo para entender.

O leitor mais ágil já deve ter concluído, com certa raiva, que um título mais justo para este texto seria algo como “Siga o exemplo dos grandes cientistas e escreva mais”. No entanto, o leitor em sintonia conosco, percebeu que este título é perfeito por atrair o público correto para o que vai aqui escrito. Mas, ambos os grupos de leitores devem se perguntar, e agora?

Respondendo esta pergunta propomos:

  • Gastar menos tempo em esforços passivos. Assistir menos TV, ler mais rápido.
  • Dedicar mais tempo a esforços ativos. Resolver mais exercícios, voltando para o texto só quando tem dúvidas, escrever mais resumos sobre as aulas. Lançar um blog, o mais organizado possível sobre seus estudos, pois o trabalho mental exigido para tentar ensinar algo a alguém organiza a mente de tal forma que é o esforço ativo perfeito para melhor entender, seja qual assunto for.

Se alguém melhorar suas notas por ter lido menos e estudado mais, por favor, nos mande um retorno. Se pioraram, nos avise também.

Sendo feliz no calor

March 6, 2010

Este, melhor do que nunca, é o momento correto para escrevermos sobre nossas técnicas de combater a raiva nesse tempo de calor. A idéia aqui é como não se irritar acima de 30°C. A seguida, algumas dicas básicas:

  1. Perca alguns quilinhos. Se formos em nossos livros de Biologia, veremos que tecido adiposo ajuda a aumentar a temperatura interna do corpo. Por isso, além de ser útil pra sua saúde arterial, perder um pouco de peso vai te ajudar a se irritar menos com o calor.
  2. Se agite menos. Algumas pessoas nos perguntam como conseguimos estudar, ficar no PC ou desenhar nesse calor todo. Por definição, a temperatura é uma medida de agitação de moléculas, se nos mexemos muito, andamos de um lado pro outro reclamando do calor seguindo o ventilador giratório, nós agitamos as pobres das moléculas ainda mais. Por isso que, sentadinhos no nosso canto lendo um livro, acabamos por sentir menos calor que os outros.
  3. Queira ficar suado. Peguemos qualquer texto que faça ao menos uma sutil referência a Buda e veremos que as causas de nossas tristezas estão em nossas próprias mentes. Deste modo, é por nos sentirmos contrariados com o suor que reclamamos. Alguém já viu alguma pessoa na academia esperneando de raiva por estar suado? Pois é, quando nós QUEREMOS ficar suados, ninguém é contrariado e todo mundo fica feliz. Além disso, suar ajuda na dica #1.
  4. Tome banho numa boa. Aproveitemos o banho, mesmo que seja só uma molhadinha pra espantar o quentume. Mas na hora de sair, não podemos nos enxugar com tanta pressa e nem sair de dentro do banheiro correndo na esperança de que o chuveiro mudou o clima lá fora. Concluindo, lembre-se da dica #2 na hora do banho.
  5. Sociabilize. “Sai de perto de mim, eu tou com calor” é a frase que deve sair de nosso arsenal. Sejamos realistas, tudo que temos na vida são as outras pessoas e valores que definimos nas relações com elas. Deixar de ser um ser agradável para a sociedade não é uma opção NUNCA. Portanto, utilizemos estas dicas e desenvolvamos outras próprias para continuarmos sendo pessoas agradáveis mesmo que a sensação térmica passe dos 30°.

Por último, junte todas as dicas e note que ir para praia ou para um clube aquático combina tudo que foi comentado aqui. Nós estamos compelidos a vestir pouca roupa e boiar um pouquinho no mar em público.

Para mais dicas sobre o verão, veja o que Raphael Rios, um de nossos seres humanos favoritos, tem a dizer.