Dúvida mata ou ensina a viver?

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Hoje, um post do blog Get More from Life nos motivou a retomar a pergunta “É melhor viver cheio de dúvidas ou em meio a respostas erradas?“. Neste post, o Scott Young começa citando o ganhador de Prêmio Nobel, Richard Feynman, em uma entrevista para a BBC, em que o físico afirma:

“Eu posso conviver com a dúvida e a incerteza. Eu penso que isto é muito mais interessante que viver com respostas que podem estar erradas. Eu tenho respostas aproximadas e diferentes graus de incerteza sobre várias coisas, mas eu não certeza absoluta de nada.”

A idéia principal do referido artigo, intitulado “Aprendendo a duvidar”, é que incerteza é a única maneira correta de pensar. Não que o autor sugira uma incredibilidade niilista, mas antes uma ponderação racional de que o cálculo de probabilidades é a maneira mais acertada de se abordar os fatos da vida. Ou seja, jamais assumir certeza total e cega, mas antes deixar um espaço para uma reviravolta nos conceitos.

Tal pensamento, nos faz lembrar de uma principais proposições da Conscienciologia, o Princípio da Descrença que diz:

“Não acredite em nada, nem mesmo no que lhe informarem aqui. EXPERIMENTE. Tenha suas experiências pessoais”.

O maior problema quanto a viver em meio ao incerto, tal como proposto acima, é o medo. Uma consciência comum, fraca e insegura, tem mais facilidade em entregar seu destino às deliberações de um pai, mestre, guru ou guia religioso que assumir as próprias responsabilidades e conseqüências por escolhas e posicionamentos. Tal forma de pensar também pode incomodar quem nos observa. Por exemplo, quando certa vez citamos um pensamento que adotamos quando ainda pequenos, acabamos por ofender a nossa companhia. O pensamento é o seguinte:

“Eu não boto minha mão no fogo por ninguém. Todo mundo é falível, pode trair e se deixar levar pelas paixões”.

No entanto, percebamos que tal pensamento não implica na total desconfiança de nossos relacionamentos, amizades e demais pessoas próximas. Mas apenas a abertura mental para a possibilidade de alguém, buscando a própria felicidade, nos magoar, trair ou ofender.

Desta maneira, podemos considerar apenas graus de confiança nas pessoas e situações. E, baseados nestes graus tomamos as decisões que acharmos mais inteligentes. Lembrando sempre que podemos incorrer em decisões improfícuas, uma vez que vivemos em meio ao paradoxo.

Alguém pode perguntar: mas como, por exemplo, manter um relacionamento afetivo, religioso ou profissional que “exija 100% de confiança” para dar certo. Nossa resposta começa mais ou menos assim:

“Não existe nada na vida que exija 100% de confiança ou certeza para funcionar. Além disso, podemos sempre lembrar da dimensão do tempo, quem duvida pode esperar pela verdade, sem que para isso precise deixar de agir sob seus princípios. A desilusão pode ferir, mas o prazer de avançar quando todos os outros permaneceriam paradas foi sempre o pensamento que motivou os maiores homens”.

Além disso, acreditamos que se aproxima o tempo de termos a maturidade suficiente para abandonar o pensamento proposto por Giacomo Casanova para combater os ataques de Voltaire à superstição:

“Se Voltaire tivesse sido um filósofo adequado, ele teria mantido silêncio sobre este assunto… as pessoas precisam viver na ignorância pela paz geral da nação”.

De fato, imaginemos se repentinamente todos percebessem que mesmo as palavras dos homens mais sábios e os livros mais sagradas são baseados em opiniões em existem ocasiões em que estes podem fornecer interpretações inadequadas. Alguns acreditam que isto seria o caos. Mas a necessidade de nos educarmos em Moral e Ética, assumindo o livre-arbítrio e a incerteza como as bases fundamentais, é cada vez mais pungente. É hora de assumir a realidade da dúvida e com ela ter o otimismo íntimo para aprender a conviver.

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