Não há mestre tão bom como o tempo

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A Teoria da Relatividade fez uma proposta filosoficamente interessante:

“Ver a dimensão do tempo como algo tão trivial como qualquer uma das outras três dimensões do espaço.”

A dificuldade psicológica de abordar a dimensão do tempo desta forma deve-se ao fato de não termos acesso instantâneo a uma considerável fração de tempo simultaneamente. Ou seja, cada trecho temporal deve ser vivenciado de uma vez, como o presente sendo apenas um instante enquanto que o passado e o futuro de interesse podem se tornar distantes. Por outro lado, basta olhar envolta para considerar três dimensões de espaço em um vislumbre.

O lado bom da atual análise é que a dificuldade de desenvolver uma mentalidade relativística não é um problema inabordável e sem soluções. Por exemplo, a seguir, anotamos três propostas que podem ajudar a entender o tempo como algo tão acessível e real como “olhar prum lado, pro outro, pra frente ou pra trás”.

Paciência. O antônimo da ansiedade fornece ao seu detentor uma resistência que lhe permite esperar pelos frutos das sementes que germina. Sem paciência é impossível entender passado e futuro como algo tão concreto quanto o presente. Aliás, o tempo não poupa aquilo que é feito sem ele. Para desenvolver paciência, em nossa instrução particular, a doutrina que melhores teorias e ensinamentos forneceu foi o Espiritismo. A partir da percepção de que a certeza em uma forma de vida após a morte e da importância da vida pensamental nos tornam mais calmos perante as vicissitudes do dia-a-dia.

Tolerância ao paradoxo. Michael J. Gelb em seu livro sobre Como pensar como Leonardo da Vinci discute que uma das principais características do gênio é ser capaz de avançar mesmo quando em dúvida, mesmo em meio ao paradoxo. Tudo isto através de uma utilização pragmática da intuição, do bom senso e da sorte. Isto porque esperar pela certeza nem sempre é o mais adequado ou mesmo viável. A confirmação quanto ao certo e o errado podem vir um dia, mas perder a chance de agir pode ter custos irreparáveis.

Experiência. Nós nos lembramos que Sherlock Holmes costumava citar o Eclesiastes dizendo que “não existe nada de novo sob o Sol”. Foi utilizando este pensamento que ele decidiu estudar o maior número de casos criminais possíveis e, partir daí, ter idéias para deduzir todos os outros com os quais ele se deparasse. E assim é o restante da vida. Tudo que nos surge é uma repetição ou pequena alteração sem saltos muito impressionantes daquilo que já foi. Se algo se nos apresenta muito complicado ou assustador hoje, será senso comum ou caso vivido amanhã. Daí, segue-se que viver só se aprende vivendo. Se reprimir fugindo das experiências só adia o aprendizado e fomenta o drama da falta de sabedoria do presente. Claro que um pouco de teoria antes de viver é como tomar alguns instrumentos antes de se atirar ao mar: serve para guiar um pouco!!! Esta a proposta do Theoretical Somenthig.

Sendo paciente, tolerante e experiente, o homem passa a ver o amanhã como algo cada vez mais concreto. Vai também se tornando mais distante daqueles que utilizam a incerteza da própria vida no amanhã como desculpas para evitar a vivência consciente e integral no presente.

Concordamos que é difícil expressar como deve ser a sensação do sábio que lida com o passar dos dias com uma destreza e serenidade que nos faz acreditar que ele seja precognitor. Mais difícil ainda é escrever teorias sobre como chegar a tal patamar. Porém, como agir fornece mais experiência que a estagnação, deixamos o presente texto e a seguinte cantiga proveniente do Tambor de Mina e Umbanda.

Eu tava na beira da praia

Tomando conselhos com o vento

Foi quando ouvi uma voz me dizendo

Não há mestre tão bom como o tempo

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One Response to “Não há mestre tão bom como o tempo”

  1. Dúvida mata ou ensina a viver? « Theoretical Something’s blog Says:

    […] vida que exija 100% de confiança ou certeza para funcionar. Além disso, podemos sempre lembrar da dimensão do tempo, quem duvida pode esperar pela verdade, sem que para isso precise deixar de agir sob seus […]

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