Archive for April, 2012

Dúvida mata ou ensina a viver?

April 23, 2012

Hoje, um post do blog Get More from Life nos motivou a retomar a pergunta “É melhor viver cheio de dúvidas ou em meio a respostas erradas?“. Neste post, o Scott Young começa citando o ganhador de Prêmio Nobel, Richard Feynman, em uma entrevista para a BBC, em que o físico afirma:

“Eu posso conviver com a dúvida e a incerteza. Eu penso que isto é muito mais interessante que viver com respostas que podem estar erradas. Eu tenho respostas aproximadas e diferentes graus de incerteza sobre várias coisas, mas eu não certeza absoluta de nada.”

A idéia principal do referido artigo, intitulado “Aprendendo a duvidar”, é que incerteza é a única maneira correta de pensar. Não que o autor sugira uma incredibilidade niilista, mas antes uma ponderação racional de que o cálculo de probabilidades é a maneira mais acertada de se abordar os fatos da vida. Ou seja, jamais assumir certeza total e cega, mas antes deixar um espaço para uma reviravolta nos conceitos.

Tal pensamento, nos faz lembrar de uma principais proposições da Conscienciologia, o Princípio da Descrença que diz:

“Não acredite em nada, nem mesmo no que lhe informarem aqui. EXPERIMENTE. Tenha suas experiências pessoais”.

O maior problema quanto a viver em meio ao incerto, tal como proposto acima, é o medo. Uma consciência comum, fraca e insegura, tem mais facilidade em entregar seu destino às deliberações de um pai, mestre, guru ou guia religioso que assumir as próprias responsabilidades e conseqüências por escolhas e posicionamentos. Tal forma de pensar também pode incomodar quem nos observa. Por exemplo, quando certa vez citamos um pensamento que adotamos quando ainda pequenos, acabamos por ofender a nossa companhia. O pensamento é o seguinte:

“Eu não boto minha mão no fogo por ninguém. Todo mundo é falível, pode trair e se deixar levar pelas paixões”.

No entanto, percebamos que tal pensamento não implica na total desconfiança de nossos relacionamentos, amizades e demais pessoas próximas. Mas apenas a abertura mental para a possibilidade de alguém, buscando a própria felicidade, nos magoar, trair ou ofender.

Desta maneira, podemos considerar apenas graus de confiança nas pessoas e situações. E, baseados nestes graus tomamos as decisões que acharmos mais inteligentes. Lembrando sempre que podemos incorrer em decisões improfícuas, uma vez que vivemos em meio ao paradoxo.

Alguém pode perguntar: mas como, por exemplo, manter um relacionamento afetivo, religioso ou profissional que “exija 100% de confiança” para dar certo. Nossa resposta começa mais ou menos assim:

“Não existe nada na vida que exija 100% de confiança ou certeza para funcionar. Além disso, podemos sempre lembrar da dimensão do tempo, quem duvida pode esperar pela verdade, sem que para isso precise deixar de agir sob seus princípios. A desilusão pode ferir, mas o prazer de avançar quando todos os outros permaneceriam paradas foi sempre o pensamento que motivou os maiores homens”.

Além disso, acreditamos que se aproxima o tempo de termos a maturidade suficiente para abandonar o pensamento proposto por Giacomo Casanova para combater os ataques de Voltaire à superstição:

“Se Voltaire tivesse sido um filósofo adequado, ele teria mantido silêncio sobre este assunto… as pessoas precisam viver na ignorância pela paz geral da nação”.

De fato, imaginemos se repentinamente todos percebessem que mesmo as palavras dos homens mais sábios e os livros mais sagradas são baseados em opiniões em existem ocasiões em que estes podem fornecer interpretações inadequadas. Alguns acreditam que isto seria o caos. Mas a necessidade de nos educarmos em Moral e Ética, assumindo o livre-arbítrio e a incerteza como as bases fundamentais, é cada vez mais pungente. É hora de assumir a realidade da dúvida e com ela ter o otimismo íntimo para aprender a conviver.

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Todo o trabalho é feito pelas árvores

April 17, 2012

Todo o trabalho e feito pelas árvores.
Cabe a nós como ferramentas diminutas reconhecer a maravilha dos serviços prestados por estes entes da Natureza e os espíritos do Universo. Quantas belezas não são diariamente operadas neste mundo incrível? Quão imensos não são os recursos que o Pai dignou ao nosso planeta para embelezar e educar? Pobre do pintor, que só pode se emocionar perante tanta coisa maravilhosa. Quem lhe dera pudesse operar tantas belezas…
Mas feliz daquele que vai além da admiração e se alista nas fileiras da prestação de serviços, tomando as raízes, troncos e folhas como exemplo. Feliz do espírito que participa desta harmoniosa sinfonia Natural, pois expandirá agradáveis sombras ao seu redor, será lugar fixo que outros se sentem seguros para procurar, transformará recursos em fontes facilmente aproveitáveis, operará belezas.

Não há mestre tão bom como o tempo

April 17, 2012

A Teoria da Relatividade fez uma proposta filosoficamente interessante:

“Ver a dimensão do tempo como algo tão trivial como qualquer uma das outras três dimensões do espaço.”

A dificuldade psicológica de abordar a dimensão do tempo desta forma deve-se ao fato de não termos acesso instantâneo a uma considerável fração de tempo simultaneamente. Ou seja, cada trecho temporal deve ser vivenciado de uma vez, como o presente sendo apenas um instante enquanto que o passado e o futuro de interesse podem se tornar distantes. Por outro lado, basta olhar envolta para considerar três dimensões de espaço em um vislumbre.

O lado bom da atual análise é que a dificuldade de desenvolver uma mentalidade relativística não é um problema inabordável e sem soluções. Por exemplo, a seguir, anotamos três propostas que podem ajudar a entender o tempo como algo tão acessível e real como “olhar prum lado, pro outro, pra frente ou pra trás”.

Paciência. O antônimo da ansiedade fornece ao seu detentor uma resistência que lhe permite esperar pelos frutos das sementes que germina. Sem paciência é impossível entender passado e futuro como algo tão concreto quanto o presente. Aliás, o tempo não poupa aquilo que é feito sem ele. Para desenvolver paciência, em nossa instrução particular, a doutrina que melhores teorias e ensinamentos forneceu foi o Espiritismo. A partir da percepção de que a certeza em uma forma de vida após a morte e da importância da vida pensamental nos tornam mais calmos perante as vicissitudes do dia-a-dia.

Tolerância ao paradoxo. Michael J. Gelb em seu livro sobre Como pensar como Leonardo da Vinci discute que uma das principais características do gênio é ser capaz de avançar mesmo quando em dúvida, mesmo em meio ao paradoxo. Tudo isto através de uma utilização pragmática da intuição, do bom senso e da sorte. Isto porque esperar pela certeza nem sempre é o mais adequado ou mesmo viável. A confirmação quanto ao certo e o errado podem vir um dia, mas perder a chance de agir pode ter custos irreparáveis.

Experiência. Nós nos lembramos que Sherlock Holmes costumava citar o Eclesiastes dizendo que “não existe nada de novo sob o Sol”. Foi utilizando este pensamento que ele decidiu estudar o maior número de casos criminais possíveis e, partir daí, ter idéias para deduzir todos os outros com os quais ele se deparasse. E assim é o restante da vida. Tudo que nos surge é uma repetição ou pequena alteração sem saltos muito impressionantes daquilo que já foi. Se algo se nos apresenta muito complicado ou assustador hoje, será senso comum ou caso vivido amanhã. Daí, segue-se que viver só se aprende vivendo. Se reprimir fugindo das experiências só adia o aprendizado e fomenta o drama da falta de sabedoria do presente. Claro que um pouco de teoria antes de viver é como tomar alguns instrumentos antes de se atirar ao mar: serve para guiar um pouco!!! Esta a proposta do Theoretical Somenthig.

Sendo paciente, tolerante e experiente, o homem passa a ver o amanhã como algo cada vez mais concreto. Vai também se tornando mais distante daqueles que utilizam a incerteza da própria vida no amanhã como desculpas para evitar a vivência consciente e integral no presente.

Concordamos que é difícil expressar como deve ser a sensação do sábio que lida com o passar dos dias com uma destreza e serenidade que nos faz acreditar que ele seja precognitor. Mais difícil ainda é escrever teorias sobre como chegar a tal patamar. Porém, como agir fornece mais experiência que a estagnação, deixamos o presente texto e a seguinte cantiga proveniente do Tambor de Mina e Umbanda.

Eu tava na beira da praia

Tomando conselhos com o vento

Foi quando ouvi uma voz me dizendo

Não há mestre tão bom como o tempo