Archive for January, 2012

Seja determinado, não ambíguo – Notas sobre um perfil firme

January 31, 2012

Obs. Escrevemos como se o leitor fosse do sexo masculino, mas esperamos que as devidas transformações sejam realizadas na mente de cada um para evitar excessos no texto.


Dúvida, incerteza, inconstância comportamental, variar o jeito de pensar e planejar com o fluir dos sentimentos são atitudes dos seres ambíguas. Seguir a maré de tal forma é importante para expressão sentimental e talvez artística, em alguns casos. Mas para aquele que quer viver sua essência, se dizer determinado com total confiança, então ele deve ser sincero.

A sinceridade a que nos referimos acima, não implica em dizer a verdade para todo mudo, basta que ele assuma para si mesmo SEMPRE a razão dos seus atos e pensamentos, por mais que lhe doa. Por exemplo, caso você queira tomar uma atitude que julga incorreta, não precisa confessar para os outras, basta compreender e assumir para si mesmo, buscando entender suas reais motivações. Neste post, o estudo deste assunto se divide em três principais subtemas: trabalho, relacionamentos e convívio.

Trabalho. Não adianta ficar reclamando do seu chefe sem tomar atitudes, isto nunca vai mudar suas condições de trabalho. Se você estiver insatisfeito neste aspecto, assuma e se esforce para melhorar de emprego ou no mínimo fazer as exigências ao seu direito. Caso, não acredite ter condições para tal, seja mais honesto ainda e aguente os problemas. Reclamar e tentar jogar a responsabilidade das suas culpas para os outros não vai resolver. Além disso, trabalhar mal às escondidas por se julgar mal recompensado é atitude de infantil que só acaba com a reputação da pessoa. Seja determinado e se arrisque ou seja determinado e assuma sua mediocridade com dignidade.

Relacionamentos. Um nosso irmão, certa vez comentou que via com felicidade o aumento no número proporcional de divórcios. Para ele, tal crescimento refletia o fato de que as pessoas não estavam mais se submetendo a condições que as deixavam infelizes, mas lutando por suas satisfações. Isto é bem verdade. De fato, por um lado temos mais pessoas se tornando determinadas de verdade. Porém, a casos também, dentro destas mesmas estatísticas, de fuga e fraqueza. O normalmente mais incomodo, não são as separações em si, é bem provável que este momento seja de alívio para ambos. Ruim são os dias e, quem sabe, anos de brigas e desentendimentos incômodos para ambos. Discutir a relação é para ser uma atividade pragmática, visando resultados bons para os dois. Viver por anos com uma pessoa e esperar que ela mude aquele hábito incomodo é normalmente uma tolice. Além disso, se você se interessou por outra, não culpe sua mulher por isso. Ou vá viver seu affair ou mantenha-se com sua mulher. Listar e integrar os problemas do seu relacionamento e utilizá-los como desculpa para casos extraoficiais é uma forma de fuga, fraqueza e impede que o homem conheça-se a si mesmo. Seja determinado e aceite sua mulher do jeito que ela é ou seja determinado e diga “Próxima!” por sua conta e risco.

Convívio. Esta análise é para casos mais gerais. A principal atitude do homem não ambíguo é não esquecer seus objetivos, missões de vida e paixões. Por vezes, mesmo alguém determinado deve abrir mão da sua vontade em prol de um investimento maior. Mas vale lembrar que quanto mais concessões contra seus objetivos ele faz, sejam para sua mulher, chefe, pais ou filhos, mais distante ele se torna de si mesmo, mais ambíguo ele será. Um estudo de caso de honestidade e determinação é o do pintor Monet:

    Monet engravidou uma namorada quando mudou-se para Paris para aprender a pintar. Porém, seu pai impôs como condição para continuar financiando-o que ele abandonasse a mulher de classe social inferior à dele, que não a assumisse, nem se casasse. Monet foi honesto consigo mesmo, reconheceu que a pintura era mais importante que tudo e disse para a mulher que não iria casar-se com ela. Porém, Basílio, um grande amigo seu, que também era estudante de pintura, porém mais abastado, disse-lhe algum tempo depois que poderia financiá-lo, comprando-lhes os quadros por um dinheiro que seria suficiente para (parco) sustento. Novamente, Monet foi honesto e, depois de garantir sua missão de vida com a pintura, abriu mão da mesada do pai e foi viver em condições mais difíceis, porém, com a mulher que amava.

Ser honesto consigo mesmo pode ser difícil e dolorido para o homem e aqueles ao seu redor, porém é a única maneira do homem conhecer a si mesmo mais completamente. Fazer a vontade dos outros não garante que estejamos certo, muito pelo contrário, pois, por mais que uma pessoa diga que quer o seu melhor, na verdade ela apenas quer aquilo que seria melhor para ela, caso estivesse no seu lugar. Algumas vezes o homem vai fazer a sua vontade e vão acreditar que ele age manipulado por outros, mas o homem deve SEMPRE reconhecer para si mesmo qual é a verdade. Perceba que quando você procura por uma opinião, comumente busca aqueles com um pensamento parecido com o que deseja guiar sua decisão. Logo, importa primar pela auto-aprovação, antes da inter-aprovação. Ficar esperando por aquele tapinha nas costas do papai, cafuné da mamãe ou beijinho da mulher talvez seja uma maneira técnica e confirmada de partir sua alma no meio e viver sempre ambíguo.

Não ser ambíguo é também fundamental para os momentos de decisões importantes. Uma boa dica para se assumir na hora de tomar decisões importantes é imaginar-se no futuro, por exemplo, “daqui a dez anos, qual das opções, com possíveis sucessos e fracassos me trará mais felicidade e satisfação dos meus sonhos e missões?“. Mudar de emprego e arriscar-se em uma nova carreira. Continuar ou trocar de mulher. Casar-se ou viver como solteiro. Ficar com a família, mulher e amigos ou viajar para longe em busca de um sonho. Todos são exemplos de decisões do tipo em que é muito importante ser determinado e assumir a responsabilidade pelas escolhas. No final das contas, enquanto alguns abrem mão da própria liberdade para viver cegamente sob uma verdade ditada por outros, é muito difícil para o ser humano dizer o que é verdadeiro. Proibido ou permitido, é somente aquilo que cada consciência e alguns consensos julgaram como tal. Limitar-se e abrir mão da liberdade, em nossa opinião, só gera sofrimento, insatisfação e o pior de tudo, ambiguidade. Seja determinado e garanta sempre que seu suor e lágrimas sejam por algo de valor.

Uma última nota sobre a sintaxe utilizada neste texto é diferenciar ambiguidade de paradoxo. O mundo em que vivemos é essencialmente incerto, logo paradoxal. Deve-se assumir quando não se sabe algo o suficiente. Mas o ambíguo será ansioso e não saberá aceitar esperar pelo conhecimento, tomando uma atitude ou escolha apressada, que por vezes podem mesmo afastá-lo da real satisfação de seu sentido na vida.

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Da arte de se concentrar com barulhentos por perto

January 30, 2012

Este post é principalmente para aqueles que trabalham em casa.

Para aqueles que realizam trabalhos que exigem concentração, raciocínio e o máximo de dedicação e imersão mental nas tarefas, tais como jogadores de xadrez, pesquisadores científicos, certos escritores, alguns pintores, músicos, etc., o silêncio e tranqüilidade são fundamentais para correta execução das atividades. O “problema”, ou maior impedimento, nestes casos são por vezes aqueles que mais amamos e não podemos nos distanciar definitivamente, ou seja, nossos familiares, colegas de trabalho e amigos.

O objetivo deste texto é sugerir técnicas para obter um tempinho para trabalhar sossegado mesmo em meio às distrações proporcionadas por entes queridos. Pois, como observou o Leonardo da Vinci, “quando um homem trabalha sozinho ele é totalmente seu, porém, quando acompanhada, ele é apenas parcialmente seu”. As classes de pessoas que são estudadas neste texto são a(o) namorada(o), crianças, sejam filhos, irmãos, sobrinhos, etc., pais e mães e colegas de trabalho. Especificamente, este texto não é para aqueles que trabalham em um escritório isolado, mas para aqueles que ou compartilham seu escritório com diversas pessoas ou que trabalham em casa.

Lidando com sua namorada. Se você disse para uma pessoa que gostaria de namorá-la, então você está se comprometendo em dedicar parte das horas do seu dia somente para tal pessoa. Se você dedicar sempre um momento diário específico para seu amor depois do seu trabalho, então possivelmente não será importunado por ela durante o expediente. Porém, caso ela exija atenção contínua durante seu trabalho, apresente-se, de maneira educada, menos carinhoso e atencioso durante o trabalho que quando pessoalmente. Isso irá encorajá-la a deixar o que tem para dizer no momento em que você está mais disposto, no momento que em você é de fato só dela. Nós não recomendamos cometer o erro de dizer ou deixar claro para sua namorada que seu trabalho, missão ou arte é mais importante que sua vida sentimental. Além de ser muito egoísta, normalmente é mentira. É mais comum que trabalho e namoro sejam partes igualmente importantes da vida de qualquer um. Caso discorde, experimente dizer para pessoa que você ama que ela não é tão importante quanto seu trabalho e analise como você se sentirá quando perdê-la para alguém que pense o contrário. Se sua companheira(o) não é de fato seu tão importante assim, do mesmo modo evite comentar o significado emocional desta pessoa na sua vida. Evite o contrário também, ou seja, mentir e criar uma expectativa de atenção. Viva como acredita, mas evitando, tanto quanto possível, magoar alguém.

Lidando com crianças. Caso sua casa tenha filhos, irmãos pequenos, sobrinhos ou outros abençoados, provavelmente também terão barulho e bagunça. Lidar com crianças para obter sossego é por um lado mais fácil e por outro mais complicado. O lado fácil é que você sempre pode fingir que não as escuta, o que pode ser bem verdade se estiver utilizando uma das principais ferramentas do concentrado em meio ao barulho: fones de ouvido. O lado complicado é que as crianças nunca se tocam e só deixarão de lutar por sua atenção quando dormindo, entretidas por vídeo games ou Discovery Kids, ou quando estiverem interessadas na atenção de outra pessoa. Sempre funciona definir um quarto de trabalho proibido para crianças onde você se tranca, coloca os fones de ouvido e trabalha sossegado. Porém tome dois cuidados: o primeiro é de ter certeza que terá alguém para cuidar das crianças enquanto vocês trabalham, pois elas tendem a se vingar da falta de atenção em tudo na casa; o segundo cuidado é de não deixar nada ao acesso delas quando você não estiver no quarto proibido, pois este se tornará o cômodo da casa favorito delas depois que ele se tornar “proibido”. Quando não estiver trabalhando, dedique algum momento de atenção para as crianças, esta é a hora de se aproveitar de fato de você ser uma pessoa de limitado acesso para se tornar especial para elas. Tal efeito é o que faz com que algumas crianças gostem mais do pai que só chega à noite para dar carinho e brincar, que a mãe que passa o dia inteiro cuidando, brigando, batendo e colocando de castigo. Lembre-se, ingratidão é a essência de qualquer ser menos racional, utilize isto a seu favor. Desse jeito, você poderá proibir as crianças de chegar a você e depois fazê-las te amar ainda mais. É o efeito Jesus, que primeiro sempre aceitou que os apóstolos trabalhassem de guarda-costas, mas que no momento certo soube dizer “vinde a mim”.

Lidando com os pais. Esta é a hora de saber dizer não para os favores e exigências dos pais. Porém, para ter moral, não deixem que eles te vejam se divertindo no local de trabalho ou estudo, eles pensarão “se ele está brincando, então pode trabalhar para mim”. Mantenha sempre o respeito pelo seu local e momento de trabalho, desta forma, sempre que você disser que está ocupado poderá utilizar a pressão moral de perguntar “você vai querer atrapalhar meus estudos/trabalhos com isto?”. Também não seja um filho ruim, reserve alguma atenção para seus pais, principalmente para sua mãe, com quem você foi tão ingrato na infância (ver item anterior).

Lidando com colegas trabalho. Aqui falamos daqueles colegas que importam, aqueles que podem ser maltratados, esquecidos ou ignorados sem maiores perdas, deixamos ao bom senso de cada um a melhor maneira de lidar. Para tratar com os colegas de trabalho os fones de ouvido são fundamentais. Mesmo que você tenha ouvido a seus chamados, não responder logo de cara destacará um pouco mais o incomodo e a distração das suas obrigações. Sem os fones, é mais difícil convencer alguém de que você não o escutou. Fones sem nenhuma música também funcionam. Isto os desencoraja a distrações futuras. Caso seu colega tenha chamada atenção para algo que você nunca mais quer que aconteça, recoloque seus fones e volte ao trabalho sem dizer uma palavra, ou no máximo um “hmmm!” sem sorrisos. Nós não gostamos de abordagens mais diretas como “pare de me atrapalhar, não vê que estou tentando me concentrar”, preferimos algo como “espara aí só uns minutinhos, deixa só eu terminar esta seção aqui que eu falo contigo”. A idéia é sempre fazer seus colegas esperarem um pouco por sua atenção, em algum momento eles lembrarão que te mostrar algo é uma tarefa muito demorada e que só vale a pena quando se tem algo de importante para mostrar.

Lidando com os amigos. Deixe-os para depois do trabalho ou para momentos específicos ao Facebook, MSN ou por SMS. Jamais os responda a qualquer momento, pois eles te distrairão sem se dar conta do quanto. Se alguém tiver algo de realmente importante para mostrar, ligarão para seu trabalho, falarão com seu chefe ou tentarão outra abordagem mais direta, nunca em uma mensagem rápida de internet. Caso queira tempo nos momentos em que eles normalmente se reúnem para sair, sempre aceite o convite e depois que não comparecer, se desculpe falando a verdade (tive um trabalho de última hora para fazer) ou com alguma mentira inocente. Negar continuamente os convites te classificará como “o que nunca sai” e te excluirá de convites futuros. Mas lembre-se, furar sempre também acabará te excluindo de convites futuros.

Dicas genéricas. Independente de quem esteja gerando a distração que você deseja evitar para trabalhar, pode-se observar que algumas dicas são genéricas, como, por exemplo, dividir bem quando é horário de trabalho e quando você está livre para dar atenção a quem precisa. Lembrando que uma hora de atenção total para uma pessoa vale muito mais que diversas horas com alguém enquanto se está pensando em trabalho. Por mais que possa parecer dolorido ignorar as pessoas no começo, lembre-se da lei econômica de Smith “quanto menor a oferta, maior a procura”. Se sua atenção é escassa, será mais valorizada, seja por seus filhos e crianças, namoradas, pais ou amigos. Repetimos, lembre-se do filho pródigo que foi recebido com a maior festa depois de ter sumido, enquanto que o filho trabalhador que ficou em casa nunca recebeu uma festa para farrear com os amigos.

Notamos mais uma vez que fones de ouvido, de preferência headsets de qualidade, são muito importantes por isolarem do barulho exterior e evitarem que um desavisado se ache no direito de te incomodar porque acha que “você não está trabalhando, mas apenas ouvindo música”. Quanto a músicas para ouvir com fones de ouvidos preferimos as instrumentais. Alguns dos álbuns que mais nos ajudam a nos concentrar são

  • Armin Van Buuren – A State Of Trance 2009 [2CD]. Música eletrônica de ótima qualidade que nos foi recomendada por um colega de trabalho que também as utiliza com os objetivos aqui analisados, chamado Polyelton Amorim.
  • Christopher Wilson – La Magdalena – Lute Music in Renaissance France e Lute Music Vol 2 – Early Italian Renaissance – Paul O’Dette. São dois álbuns de música renascentista bem tranqüila e que nos ajudam bastante. O som do alaúde
    é muito agradável.

Apesar de fornecerem alguns resultados mesmo na melhora do coeficiente de inteligência, as músicas clássicas que possuímos não nos serviram muito bem para concentração, mas sabemos que servem muito bem para outras pessoas, então, a dica é testar a que serve para você.

Algumas músicas com vocais que costumamos ouvir nestes momentos são

  • Heidevolk – Wodan Heerst MCD (2007). A força no viking folk metal tem nos sido realmente estimulantes durante o trabalho. Mas por vezes estas músicas empolgam demais e acabam distraindo. Este efeito de distração também nos é muito forte com músicas religiosas. Aparentemente, ambos os estilos de músicas nos evocam um estado de louvor a algo poderoso e superior que, portanto, devem ser evitados quando o objetivo é concentração no trabalho.
  • The Libertines – The Libertines (2004). O efeito descontraído da música indie nos ajuda no desligamento do mundo e concentração nas tarefas. O efeito colateral é a vontade de farrear depois do trabalho, que pode ser ideal para cumprir com aquele objetivo de deixar a hora do trabalho para o trabalho e a hora da diversão para diversão.
  • Ceumar – Sempre Viva. Nós evitamos ouvir músicas em português, mas na prática as músicas deste álbum não nos distraem tanto. O lado ruim é que depois elas ficam na cabeça.

Conclusões. De maneira geral, recomendamos, tranque-se em algum lugar só com você, seu trabalho, seus fones de ouvido e atenção limitada e em momentos específico para as pessoas que te esperam do lado de fora.