Archive for June, 2011

Como ler pensamentos: Uma abordagem cética

June 16, 2011

“As disciplinas dos exercícios físicos, meditações e estudos não são terrivelmente esotéricas. Os meios para atingir uma capacidade além daquelas das chamadas pessoas comuns estão ao alcance de todos, se seus desejos e suas vontades forem fortes o suficiente…” – Veidt

Por nos faltar conhecimentos aprofundados no assunto, este texto não lidará com parapsiquismo ou tradução de atividades elétricas no cérebro humano. Ao leitor interessado nestas abordagens específicas, recomendamos este e este link, respectivamente. Focaremos nos processos indiretos de leitura do pensamento, ou seja, através da leitura das pistas do pensamento.

POSSIBILIDADE DA COMPREENSÃO DOS PENSAMENTOS ALHEIOS

Temos certeza que o leitor não acredita ser impossível ler pensamentos. No máximo, as pessoas buscam o processo pela abordagem errada. Imaginamos que o leitor já passou por uma situação ou ouviu o relato de alguém que visualizou todo um conjunto conexo de fatos e que depois confirmaram ser parte do pensamento de terceiros.

Este processo de leitura é possível, do ponto de vista material, pelos sistemas neurais envolvidos no processamento da empatia. Provavelmente utilizando neurônios espelhos, que representam os comportamentos alheios como se fossem nossos, permitindo assim, que descubramos o pensamento dos outros como a resposta para a pergunta “se eu estivesse agindo daquela maneira, o que eu estaria pensando?”. Outras evidências da transmissão de pensamentos são catalogadas nos experimentos científicos para testar a possibilidade da telepatia, sendo que o livro Mental Radio é um bom exemplo do assunto.

UTILIDADES E FUTILIDADES DA LEITURA DE PENSAMENTO

Possíveis utilidades para esta prática vão desde simples ajuda para escolher um presente, até o planejamento de uma estratégia de assistencialismo para uma pessoa ou grupo. Dentre as futilidades ou usos anticosmoéticos, podemos citar a compreensão dos pensamentos alheios para manipulação, satisfação de paixões, ciúmes, inveja ou mesmo curiosidade ociosa.

Aqui, observamos que a melhor defesa contra o assédio pensamental é manter a serenidade, discrição, tranquilidade e conduta reta, o que impede a liberação de pistas de pensamento indesejadas.

INTERPRETAÇÃO MATEMÁTICA

Esta seção faz uma descrição matemática, qualitativa do processo de leitura do pensamento. Serve apenas para aqueles que acreditam que isto ajude na sua compreensão ou que pretendam fazer simulações computacionais. O leitor que não se encaixa neste perfil pode pular para a próxima seção sem grandes perdas.

Sendo P(A) a probabilidade a priori do pensamento A; P(B), a probabilidade do comportamento B; P(A|B), a probabilidade a posteriori do comportamento B ter sido causado pelo pensamento A e P(B|A), a verossimilhança de B dado A, então, pelo Teorema de Bayes,

P(A|B)=P(B|A)P(A)/P(B).

Ou seja, poderemos ler o pensamento A, ao observar uma pista B, contanto que saibamos em que condições a pista B é gerada pelo pensamento A e as chances de a pessoa estar pensando em A Depois disso, verificamos se P(A|B) possui o maior valor dentre todos os possíveis valores de P(.|B), para um dado conjunto de possíveis pensamentos.

Esta equação serve apenas para ilustrar o processo de leitura do pensamento, a mente deve fazer estas contas automaticamente. O maior problema se deve ao fato de que tanto a probabilidade a priori P(A), quanto a verossimilhança P(B|A), da pessoa alvo serão estimadas pelas probabilidades Q(B|A) e Q(A) do leitor de pensamentos através de um possível sistema de neurônios espelhos. E isto implica em um erro igual à divergência entre P(B|A)P(A) e Q(B|A)Q(A), dado por

D = integral{dAdB P(B|A)P(A) log [ P(B|A) P(A)/( Q(B|A)Q(A) ) ] }

PASSO-A-PASSO A PARA LER PENSAMENTOS

1° Entender os próprios pensamentos. Pois a compreenção sobre isso mesmo será utilizada para inferir informações sobre os outros.

2° Compreender as possíveis relações entre pensamentos, comportamentos e demais conseqüências. Isto para fazer o mapeamento inverso pista -> pensamento. Nesta etapa é interessante descobrir perguntando, se possível, no que as pessoas ao redor estão pensando sempre que notar algum comportamento interessante.

3° Estudar leitura corporal e outras pistas de traços pensamentais. Principalmente das expressões faciais, mas é importante notar que o tom de voz, movimento das mãos e postura também contém muita informação do que vai na cabeça das pessoas. Indicamos o seguinte livro.

4° Estimar pensamentos a partir das pistas observadas na pessoa alvo.

Consciência da contingência para confiar em si mesmo

June 10, 2011

A consciência da contingência é o reconhecimento das relações entre os nossos atos e as conseqüências destes sobre as pessoas e o ambiente que nos cerca [1]. Este texto é baseado no argumento de que sem consciência da contingência não poderemos ter confiança em nós mesmos. Ou seja, para podermos afirmar nossas capacidades devemos primeiro ter uma noção dos limites destas.

A ansiedade é, possivelmente, causada em parte pela falta desta noção do que podemos fazer em situações temidas [2]. O fenótipo ansioso está correlacionado com a diminuição da repostas dos neurônios que respondem à dopamina e diminui nossa noção de autoconfiança. Logo, uma forma de terapia nestas situações é parar e analisar friamente o que podemos e não podemos fazer. A seguir, são mostrados alguns comportamentos pessoalmente testados que tem ajudado a controlar ansiedade, aumentar sua consciência da contingência e, conseqüentemente, autoconfiança.

DISCIPLINAS PARA AUMENTAR CONSCIÊNCIA DA CONTIGÊNCIA

1 – Cronograma de produtividade fixo

O que é? Inspirado pelo texto do Cal Newport no Study Hacks [3], adotamos um cronograma de trabalho que consiste em foco no trabalho durante toda a manhã e tarde até as 17 horas. Dentro deste horário, é proibida qualquer atividade ou leitura não relacionada ao trabalho, fora a pausa para almoço seguido de rápido cochilo sobre a mesa. Porém, depois das 17, nada de trabalho, o que ainda restar a ser feito fica para o dia seguinte.

Como ajuda? Esta atitude ajuda treinar o cérebro para saber separar o horário de diversão do horário de trabalho. É muito importante saber a diferença entre ambos, pois todos precisamos nos divertir e descansar, porém, aquele que não tem horário organizado para isto acaba se distraindo no serviço e passando mais tempo no Facebook e perdido na internet que os demais, e no final das contas, trabalhando bem menos. Deste modo, ter um cronograma fixo aumenta o sentimento de que estamos fazendo nossa parte, que estamos trabalhando corretamente.

2 – Listagem da duração das tarefas

O que é? Antes de começar a trabalhar, anotamos em uma lista o que desejamos fazer e ao lado, quanto tempo esperamos gastar com cada atividade. Com o termino de cada etapa, voltamos à lista e anotamos o tempo real gasto. Por exemplo, a lista a seguir:

Terminar os de exercícios de sistemas lineares – estimado: 3 horas – real: 3 horas

    Desenhar um rosto – estimado 1 hora – real: 3 horas e 20min

    Ler um trecho específico do livro Os Magos de Rochester – estimado 20 min – real: 20 min

Com o passar do tempo e a prática vamos ficando cada vez mais especializados na estimação do tempo que levamos para executar cada coisa de nossa vida. Notem que trabalhos de mais longa duração também podem ser analisados, por exemplo, 60 horas – 2horas/dia para escrever uma monografia.

Como ajuda? A consciência de quanto tempo é preciso para executar tarefas diárias ajuda a melhorar o planejamento do cronograma citado anteriormente, e a aumentar a confiança de que teremos tempo suficiente para cumpri-lo. Por vezes, poderemos deixar, sem ansiedade, uma tarefa para o último minuto, pois teremos certeza de que o último minuto será tempo suficiente. Alguém sem noção de quantas horas precisa para realizar algo normalmente sofre pelo medo de “não dar tempo”. Esta lista simples é muito útil como ferramenta de autoconhecimento produtivo.

3 – Começar cedo

O que é? Evitar a procrastinação e começar a executar o que é preciso sem demoras, é seguir seu cronograma tendo em mente sua lista de durações. O melhor exemplo que temos sobre o assunto é como escrevemos nossa monografia de conclusão de curso. Durante as férias, antes do último período do curso, nós estabelecemos a regra de escrever uma página da monografia por dia, uma página de texto útil, sem contar figuras ou informações adicionais, com o pensamento de que uma página por dia, em 30 dias daria uma monografia suficiente. No final das contas, tiramos nota boa, mantendo um nível de estresse e ansiedade baixos. Recomendamos isto para evitar o cansaço comum em trabalhos longos.

Como ajuda? Nada melhor para ter certeza de que vamos conseguir alcançar nossos objetivos que a sensação de que teremos tempo suficiente pra tal. Logo, começar cedo é a melhor saída para garantir a confiança de resultados desejados com nossas ações.

4 – Autohonestidade

O que é? Autohonestidade é, utilizando do autoconhecimento, não se prometer coisas que não se está disposto a cumprir e quando prometer, fazer de tudo para realizar. Esta palavra implica em não dizer “eu vou estudar mais tarde” quando sinceramente não esperamos fazê-lo, mas estudar a todo custo quando preciso. Autohonestidade é seguir seu cronograma e trabalhar para realizar tudo dentro do tempo predeterminado. Por outro lado, quem muito se promete, muito se frustra e muito se culpa. Isto é tudo tem a ver com o processo da autohonestidade, do autocompromisso, que só pode ser alcançado com determinação e cumprimento das promessas. A explicação disso está no fato de ser mais difícil enganar a si mesmo, se alguém diz que vai mudar e não se esforça, vai continuar se sentindo ansioso e sem confiança em si próprio. Importa ser honesto consigo mesmo, assumindo falhas, vícios, limitações, potenciais e tomando uma postura determinada para realizar o necessário.

Como ajuda? Pode ser que a falta de autoconfiança seja ocasionada por falta de autoresponsabilidade. Logo, evitar a autocorrupção e se manter honesto para com os planos, promessas e dívidas acarretará uma certeza íntima inabalável, tão importante para aqueles que realizam seus sonhos. Aos pouquinhos, a autohonestidade vai tornando a pessoa cada vez mais firme e disposta a se submeter a tarefas cada vez mais exigentes, por confiar que terá responsabilidade bastante.

5 – Silêncio

O que é? Tão importante quanto executar algo bem feito, é aceitar apenas a auto-satisfação como recompensa. Nem sempre teremos alguém para dar aquele tapinha nas costas depois do bom trabalho, não é todo dia que tem um ser vivo disposto a concordar com nossas ações, porém, todos os dias devemos ter noção dos nossos atos e como eles determinam nosso valor pessoal. A consciência da contingência de cada um é uma responsabilidade pessoal, logo “não dizer à esquerda o que faz a direita” [4] também significa silêncio para aumentar a autoconfiança, pois quem é viciado na avaliação alheia da próprio consciência da contingência acaba sem autoconfiança.

Como ajuda? Livre do vício da avaliação alheia o indivíduo chama a responsabilidade de se tornar consciente da própria contingência e paulatinamente se fortalece na confiança em si mesmo.

CONCLUSÃO

Temos nestas técnicas algumas maneiras de desenvolver uma confiança objetiva de quando poderemos esperar resultados de nós mesmos e como nossas ações fornecem resultados desejados, sendo, portanto, ferramentas úteis no processo de incremento da autoconfiança.