Da arte de aproveitar a solidão

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Aposta de 10:1 a favor de que a maioria daqueles que vão ler este texto consideram a solidão algo ruim. Isto é um fato importante e que merece ser considerado a fundo. Um grande amigo nosso está escrevendo um texto mais aprofundado sobre o assunto, mas nós também gostaríamos de dizer algo.

Primeiramente, o que de mais confiável nós temos é a solidão. Esta não nos falta nunca. A menos que estejamos falando de alguém com bem pouca sorte, sempre poderemos contar com momentos para nos entregar inteiramente a nossos pensamentos.

Isto torna imperioso que toda pessoa tenha um plano positivo para aproveitar a solidão, torná-la produtiva, útil e mesmo agradável. Abaixo colocaremos alguns pré-requisitos para aquele que deseja aproveitar seus momentos sem amigos por perto, em seguida algumas sugestões de diversões.

Habilidades úteis para quem deseja aproveitar a solidão

  1. Valorização da vida mental. Quem pensa pouco, que não planeja, que não calcula, que não sonha pode assumir que pouco valoriza a sua vida mental. Este tipo de pessoa normalmente sofre quando deixada sozinha. E o sofrimento toma a forma de desespero por completa falta do que fazer. Seus pensamentos se tornam desorganizados, deprimentes e aterradores. Como a pessoa não está acostumada a pensar, ela não consegue controlar a mente quando preciso. Para reverter este quadro sugerimos homeopática, mas contínua exposição à solidão, à leitura e à meditação.
  2. Respeito por si mesmo. Também sofre muito quem não se ama. Quem tem muito ódio-próprio detesta ouvir os próprios pensamentos e ser deixado a sós (por causa da companhia…). Sem esta habilidade, a pessoa sempre tenta fugir de si mesmo por psicotrópicos e outros estimulantes como festas, relacionamentos inúteis, jogatinas, etc.
  3. Saber planejar os mementos de solidão. Quando marcamos de encontrar nossos amigos, quando vamos para faculdade ou outra reunião, normalmente temos um objetivo ou plano em mente. Tal planejamento também é importante para os momentos solitários. É bom ter uma lista de tarefas, livros, filmes, trabalhos e diversões para a próxima oportunidade de estar só.
  4. Saber dosar a solidão. Isto é para o viciado em solidão. Evitar por muito tempo as pessoas impede a devida valorização da solidão. Além disso, satura a mente e impede o aproveitamento dos momentos sem ninguém. O bom solitário não precisa ser alguém solteiro ou sem amigos. Ainda neste assunto, pode ser que aquele reclama se dizendo sem amigos, seja alguém que não saiba respeitar a si mesmo e os outros e que, por isso, inventa desculpas para mergulhar em solidão demasiada.

Sugestões de diversões para momentos de solidão

Antes de mostrar a lista avisamos que aquele que não possui as habilidades acima odiará nossa lista. Detestar a solidão é uma patologia e para o doente as sugestões a seguir poderão parecer terríveis. Mas pedimos a todos consideração e que leiam com carinho.

  1. Estudar. Não apenas para a escola e faculdade. Aliás, dizemos que os que não estudam são os que mais detestam a solidão e vice-versa. Sugerimos algum estudo longo e que tome vários momentos de solidão. Particularmente, começamos a ler sobre atividades de valorização da mente. Como sub-assuntos temos meditação, programação neuro-linguística, religião, magia, arte… Nós nunca ficamos sem o que fazer.
  2. Conhecer a si mesmo. Sabemos que o leitor conhece Sócrates, mas acreditamos que provavelmente não lhe conceda muita atenção, como também o faz com Jesus. Sendo sinceros, poucos meditam tempo suficiente sobre o que os antigos disseram. Prova disso é que talvez o leitor não reserve momentos diários para refletir sobre como agiu durante o dia e como pode melhorar. Recomendamos meditação, estudo de exercícios de respiração e auto-auscultação para conhecer o próprio corpo e mente. Estes exercícios também ajudam a desenvolver as habilidade de valorização e controle da vida mental.
  3. Arte. Particularmente, nós nos dedicamos ao desenho, um irmão nosso, à prosa e o amigo citado acima à música. Todo aquele que deseja a felicidade na solidão deve saber proporcionar prazer à própria mente.
  4. Conhecer a cidade. Nós sentimos dó daqueles que dizem que não tem nada para fazer em nossa cidade, São Luís. Isto prova que esta pessoa jamais se favoreceu o direito de caminhar por lugares bonitos. Provavelmente só se diverte no cinema, shopping ou outro ambiente populoso. Nós sugerimos as pequenas praças, as lagoas, as praias, ou seja, os ambientes não tão solitários, por questões de segurança, mas que permitem momentos de reflexão. Notem que esta sugestão também foi obtida da análise dos métodos dos pintores renascentistas que gastavam bastante tempo sozinhos observando as belezas da Natureza para reproduzir em suas obras. Quem não observa não cria.
  5. Cuidar de outros que também estejam sós. Sem misticismo, tem muita gente por aí que agradeceria uma visitinha. E ter que ouvir pessoas reclamando que estão sem ninguém ou sem o que fazer é de dar pena. Não custa nada abrir mão da solidão demasiada para dar uma passadinha nos orfanatos, asilos, hospitais ou outras atividades de assistencialismo que tem por aí, é só procurar a mais próxima no Google Maps. Esta é uma dupla solução, pois a sensação íntima de estar fazendo algo de útil elimina a tristeza da solidão e torna a pessoa imperceptivelmente mais agradável. Ou seja, evitar a solidão por fins úteis chama, naturalmente, pessoas para perto. Ou alguém aí vai dizer que nunca conheceu alguém que, de tão gente boa, todo mundo quer por perto? Leonardo da Vinci passava horas sozinho nas morgues dissecando cadáveres, mas sempre dizia, não me canso de servir. Servir as pessoas é que lhe dava a autoconfiança até pra se enfurnar no meio dos mortos, imagina passar alguns segundos sozinho. Fora os resultados para os outros, servir sem fins lucrativos ou de reconhecimentos é a ferramenta mais prática para conhecer a si mesmo e aprender a valorizar a própria mente.

Como começar a aproveitar a solidão

Àquele que se interessou por nosso texto e gostaria de conselhos sobre por onde começar, sugerimos o seguinte:

Comece por se sentar em um lugar agradável, com música boa e serena. Nada de marchas fúnebres ou músicas estimulantes de vida social desregrada. Esqueça por um momento as redes sociais ou qualquer coisa que faça ter raiva de estar sem amigos por perto. Sinta a música por um momento e relaxe. Observe, sem tentar mudar ou controlar, a respiração e o estado dos músculos. Relaxe com bons pensamentos e auto-análise por uns 20 minutos. Coloque um despertador para evitar ficar olhando para o relógio. Depois, analise seus gostos e planeje algum estudo, algo que sempre agradou e que se julgava sem tempo para fazer. Tenha um caderno para anotar os pensamentos e planejamentos. Este estudo será para os momentos de solidão ociosa. Faça deste minuto de reflexão um hábito diário e, assim como um músculo que se fortalece com o esforço, a resistência para a solidão aumentará gradativamente.

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