Archive for May, 2010

Existe vida antes da morte!

May 22, 2010

Em resposta ao texto Aconteceu! por Rosemary Araújo

De fato, as meditações concernentes à frase “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim” são deveras interessantes. Gostaríamos, por nossa vez, chamar especial atenção para o trecho “… qualquer um pode começar agora…”, pois nós, como estudiosos de religiões em geral que pregam a imortalidade da alma, não podemos perder o foco do tempo mais importante de todos, o presente.
Não falaremos sobre as pessoas que se entristecem com seus erros e problemas (porque já foi discutido no texto da Professora Rose), mas, pelo contrário, falaremos sobre os que já estão salvos. Sinceramente, alegra-nos muito a fé dos que se sentem salvos e imaginam seus lugares ao lado de Deus. Alegra-nos também os que já imaginam quais flores cultivarão em seus lares na Colônia Espiritual que os espera depois do desencarne. Otimismo e felicidade é direito inalienável do ser humano. Porém, achamos interessante lembrar o que acontece com as culturas Hindu, Budista e afins, que convivem com a certeza da vida após a morte há séculos.
Entre os povos orientais reencarnacionistas, não é difícil encontrar pessoas que deliberadamente “deixam pra próxima vida”. A certeza de que a vida continua é tão patente que acabam por perder a pressa em evoluir. Afinal de contas, se os erros podem ser reparados, os amores revividos e os desafetos perdoados, não significa isto já estar salvo?

Em nossa opinião, significa sim. Porém, para que a salvação seja cada vez mais “completa”, impera-se a qualquer um: começar agora. Esquecer um pouco o bem que nos espera depois e distribuir algum conforto agora. Pensar menos no lugar ao lado de Deus que nos espera e construir algo para as pessoas. Imaginar menos o Céu e realizar mais na Terra. Por fim, para os que tem certeza da vida após a morte fazerem um novo fim, vale lembrar que existe vida antes da morte.

Aconteceu!

May 22, 2010

Este texto é uma contribuição de nossa professora do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, Rosemary Araújo.

Nada mais taxativo do que saber-se que algo aconteceu e não se pode mais voltar atrás. Seja porque se constata um erro e suas consequências já se fazem sentir, seja porque se quer prolongar um momento de felicidade ou alegria e bem-estar, e este já se foi.
Quando o inolvidável Chico Xavier disse magistralmente que “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim”, deixou-nos uma verdade incontestável: somos donos do nosso próprio destino! É o nosso livre arbítrio que nos faz senhores de nossas escolhas na vida e são essas escolhas que nos encaminham a destinos que podem ser cada vez melhores, onde não haverá necessidade de lamentarmos o que já aconteceu.
Se nos depararmos com situações desastrosas, advindas da nossa imprevidência, recomecemos, a fim de fazermos um novo fim. Corrijamos os nossos enganos do passado, lembrando de nunca dar asas à culpa! Não, não registremos nossos equívocos com culpa, pois, no passado, quando erramos, era aquilo que ainda tínhamos a oferecer aos outros e a nós mesmos. Será que hoje, diante da mesma situação, agiríamos como agimos antes? Certamente que não. Hoje já somos detentores de um conhecimento antes ignorado. Se hoje temos este conhecimento é porque tivemos que experimentá-lo naquele momento em que cometemos o engano. Hoje não! Hoje podemos modificar o desfecho dos acontecimentos e, ao constatarmos novamente que já aconteceu, o resultado poderá ser bem mais agradável, se nos empenharmos em melhorá-lo.
Porém, se, ao reverso, o que encontramos são situações de lamento por algo maravilhoso que nos tenha acontecido, também podemos daí tirar lições de aprendizado sublime, constatando que, afinal, já somos capazes de feitos, senão gloriosos, pelo menos, satisfatórios, que nos concedem um certo refrigério nas lutas diárias. Mas nada de lamúrias, lamentos ou tristezas pelo que já aconteceu e não voltará mais.
Nas variadas leituras sobre a vida de Chico Xavier, certa vez, deparei-me com a narrativa de que ele teria pedido aos Espíritos que lhe trouxessem uma mensagem de Maria de Nazaré que o orientasse. Ao retornarem, em atendimento à solicitação do Chico, os Espíritos teriam trazido a frase: “Isso também passará!”. Chico meditou sobre ela e, a partir desse momento, teria a mensagem sempre às suas vistas, a lembrar-lhe sempre da fugacidade dos acontecimentos, sejam eles tristes ou alegres, mansos ou ferozes, nossos ou alheios…
Diante dos fatos transcorridos, em vez de lembrarmos do antigo personagem da TV, que a tudo resolvia com o seu “e zé fini, tá na boca do Brasir”, façamos como o compositor, perguntemo-nos “e agora, José?”, o que podemos fazer para nos garantir um final mais feliz?

É melhor viver cheio de dúvidas ou confortado por respostas erradas?

May 2, 2010

A maioria de nós, sem saber, prefere viver confortado por respostas erradas.
Sim claro, com você, caro leitor, é diferente… eu sei… Mas deixem-nos julgar o todo por nós mesmos por enquanto.
Junto com o tempo que passamos sem postar aqui no Theoreticial Something, também diminuimos o nosso rítmo de pesquisa científica. Fomos desenhar, aprender algumas filosofias, fazer algo que fosse mais reconfortante que equações diferenciando sem nenhuma razão aparente.
No entanto, sempre que as linhas começavam a fluir, junto se esgueirava um “porque este traço é mais sincero que aquele?”, “porque esta pintura agrada mais que aquela?”. E não era só isso, sempre que o livro de filosofia corria divertido, não podíamos evitar os “mas isto é Programação Neuro-Linguistica ou algum efeito mediúnico?”, “Deus existe mesmo, uma série infinita de explicações nos distanciam da verdade ou ambas as alternativas anteriores?”.
Após viver nesta má aceitação da nossa prórpria limitação foi que percebemos, viver confortado por respostas erradas é um saco. Preferimos um google de vezes ter problemas para nos dar o que pensar. Depois disso, nosso primeiro esforço de volta às dúvidas foi assistir a entrevista do Richard Feynman pra BBC, nos inspirar na Natureza humana.
No final de contas, até que o passeio pelo desenho e filosofia não foi inútil, ao menos começamos a dúvidar se “ver” não é uma maneira mais simples de buscar entender que “calcular”.