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Por que quem é, diz mais que quem fala?

January 14, 2010

Quando lemos o Evangelho seriamente, procuramos buscar as verdades por trás dos símbolos apresentados nos textos. Esse esforço é feito de forma que sempre estamos atrás dos bons ensinamentos e da aplicação prática destes.

Agora, porque será que empreendemos este esforço mais concisamente no Evangelho que em outros livros ou mesmo mais que com as pessoas que conversamos? Todo mundo pode trazer bons ensinamento, mas porque é mais fácil procurá-los e interpretá-los nas palavras de Jesus e dos Apóstolos?

O que se percebe é que a interpretação de um texto é relativa, variando com a pessoa que lê. No entanto, certos escritores e oradores estimulam, pelo seu comportamento e sentimento, mais a uma interpretação que a outra. No caso dos Evangelistas, seus comportamentos exemplares, seu desprendimento material e suas condutas amoráveis mostram que eles não tinham outro interesse que não o de contribuir, a seu modo, com a sociedade.

O mesmo acontece com a pintura, muito das interpretações que damos a um quadro depende dos sentimentos do próprio artista. Por exemplo, porque procuramos um significado profundo e esclarecedor no sorriso da Mona Lisa, mas não naqueles mostrados em outras obras? Isto se deve ao próprio da Vinci, cuja cultura e modos nos fazem crer que foram colocadas idéias mais ou menos escondidas em cada sorriso e que estes segredos podem ser úteis, de alguma forma, para aqueles que o descobrirem. Quanto aos “outros” artistas, nada nos faz crer que exista algo além do que pode ser visto de relance.

Indo mais além no raciocínio, acreditamos, deste modo, que sejam mais válidos os sentimentos e exemplos do divulgador que suas palavras. Visto que se seu exemplo for estimulante e seus sentimentos agradáveis, os ouvintes por eles mesmos, trabalharão para achar boas interpretações nos textos. E isto é ainda mais louvável que entregar o conhecimento já pronto para ser absorvido, pois estimula o outro em uma busca pessoal. Por outro, lado o mal divulgador que fala mais do que faz, trabalha contra si mesmo, pois todos que o lerem ou ouvirem farão esforços para encontrar falhas em suas obras.

Concluindo, acreditamos que investigamos mais a fundo nas idéias de Jesus que naquelas dos outros porque sabemos que ele deve ter dito mais por ter sido mais que os outros.

*Como trabalho futuro, propomos investigar se não seria um aprovável ato de boa-vontade tentar interpretar boas coisas naqueles que acreditamos serem ignorantes. Uma vez que achar bons ensinamentos em um bom texto é fácil e que isto se deve mais a méritos do escritor que do leitor, achar coisas boas em um texto ruim exaltaria antes o leitor. Se alguém escrever algum ensaio sobre o assunto, por favor me mande. Proponho também que a investigação deverá corroborá com a maxima “amar os vossos inimigos”.